Portugal na Europa. Que futuro?

Publicado em 18 Setembro 2013 às 11:02

A Fundação Francisco Manuel dos Santos organizou dois dias de debates sobre a Europa, em Lisboa, a 13 e 14 de setembro. Mais de 1200 pessoas e um vasto conjunto de oradores nacionais e estrangeiros juntaram-se no auditório do Liceu Pedro Nunes para discutir sobre o que é ser europeu.

A cronista Teresa de Sousa destacou, num artigo de opinião publicado no Público a 15 de setembro, algumas ideias interessantes abordadas durante a conferência “Portugal Europeu. E agora?”:

Vários oradores em diferentes painéis resumiram em poucas palavras aquilo que é, porventura, o nosso maior desafio: conseguir tirar partido da globalização económica, oferecendo aquilo que temos de específico. A nossa economia “deixou de ter uma função na economia global”, disse o economista José Manuel Félix Ribeiro. Terá de encontrar esse lugar e, para isso, teremos de aprender com os erros passados se queremos aproveitar a fatia que ainda nos cabe dos fundos estruturais europeus. Fizemos opções que não podemos repetir. Mais ou menos na mesma altura em que, em Portugal, se criava um instrumento de apoio apara a transformação do setor têxtil, a Coreia do Sul definia o mesmo objetivo, com verbas bastante coincidentes. Na Coreia chamaram-lhe “programa Milão”. É fácil de compreender porquê. Nós ficámo-nos pelas iniciais. Seul concentrou o apoio em 17 projetos, nós em mais de 200. Não criámos massa crítica, antes cortámos o fiambre em fatias tão finas que perderam o sabor, disse Mateus. António Vitorino tinha defendido a mesma coisa.
(...) Num dos painéis que moderei, com Augusto Mateus, António Barreto e Villaverde Cabral, os dois últimos oradores deixaram transparecer algum ceticismo sobre como vamos sair daqui. Villaverde Cabral chamou a atenção para um problema importante. “Dizem-nos que não há democracia sem partidos políticos, mas não nos dizem que tem de ser com estes partidos políticos.” O futuro do país também passa por aqui. Da mesma maneira que precisamos de um Estado capaz de funcionar com elevada capacidade técnica e científica, disse Barreto, mesmo acreditando que o mal já está feito. Uma coisa está ligada à outra. São ambas extremamente difíceis de concretizar. Mas não temos outra alternativa, se quisermos que os nossos filhos e os nossos netos continuem a ser cidadãos europeus. “O futuro depende daquilo que cada um de nós quiser ser como cidadão europeu”, disse Maria João Rodrigues. E as instituições só se mudam se houver um debate público e esclarecido sobre tudo isto. Foi para isso que esta conferência contribuiu.

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