O Banco da Eslovénia está a encarar seriamente a hipótese do salvamento do Nova Ljubljanska Banka (NLB), que, nos últimos três anos, registou prejuízos que ascendem a 386 milhões de euros, noticiou recentemente o diário Ljubljana’s Finance.

Cinco anos após a adesão ao euro, a economia eslovena enfrenta novas dificuldades. Na verdade, o país nunca recuperou plenamente da descida do PIB de 8%, em 2009, a mais acentuada da zona euro (à exceção da Finlândia) e o Eurostat prevê um crescimento de apenas 1% para este ano, com a dívida soberana a aumentar rapidamente e o consumo em queda. Os economistas locais mostram-se ainda mais céticos, prevendo para 2012 um crescimento de apenas 0,2% ou mesmo negativo, se a situação na zona euro continuar a deteriorar-se.

"A rápida desaceleração do crescimento deveu-se sobretudo a alterações adversas da conjuntura internacional, que induziram um abrandamento das exportações e das despesas de capital", disse ao Ljubljana’s Finance Boštjan Vasle, do Instituto de Análise Macroeconómica e Desenvolvimento.

Mas isto é apenas parte da verdade, porque as notações de crédito da Eslovénia também foram afetadas. Nos últimos meses, a Fitch desceu a notação do país, primeiro em setembro, de AA para AA-, e depois em novembro, colocando-o na sua lista de países sob vigilância, com um outlook negativo.

Janša prometeu reformas ambiciosas

Isto aconteceu porque o Governo esloveno ficou sob forte pressão para reduzir o défice público, que nunca caiu abaixo dos 5% do PIB desde 2009. As previsões para este ano e para o próximo são igualmente pessimistas. O plano oficial de redução do défice foi parcialmente torpedeado pelos eleitores, que, em junho de 2011, rejeitaram por maioria esmagadora a proposta de um pacote de reforma das pensões que preconizava a reforma aos 65 anos e a redução da [chamada] taxa de substituição (que associa a pensão dos assalariados ao salário final).

O diferendo quase fez cair o Governo e as novas eleições não geraram qualquer solução convincente. Após o fracasso de Zoran Janković, líder da coligação vencedora de centro-esquerda, em formar governo, o parlamento esloveno aprovou finalmente, no dia 28 de janeiro, dois meses depois das eleições, a nomeação para o cargo de primeiro-ministro do liberal Janez Janša [que prestou juramento no dia 10 de fevereiro].

Janez Janša prometeu reformas ambiciosas, entre as quais o corte de 5% na despesa, a redução progressiva de 20% para 15% do imposto sobre as sociedades, o aumento dos incentivos fiscais para as despesas de I&D [Investigação e Desenvolvimento], dos atuais 40% para 100%, e o congelamento temporário das pensões de reforma. Contudo, cumprir estas promessas poderá ser extremamente difícil. A nova coligação não pode ser considerada um modelo de estabilidade, uma vez que os cinco partidos que a integram tiveram apenas mais dois votos do que a oposição.