Pleno emprego de 70% da população activa, investimentos em I&D na ordem dos 3% do PIB, crescimento económico de 3% ao ano: eram estes os grandes objectivos da Estratégia de Lisboa, lançada em 2000, com um longo percurso de uma década.

O prazo terminou e o desafio europeu vai coroar-se de fracasso. Nem o mais leve vestígio da economia do conhecimento para 2010, "a mais dinâmica e competitiva do mundo". Em dez anos, a subida do emprego não ultrapassou os 4 pontos percentuais, abaixo da média de 66%. Os investimentos em I&D são ligeiramente inferiores (metade dos previstos) e continuam distantes dos investimentos dos principais concorrentes mundiais. Devido à crise, a taxa de crescimento baixou para uma média de 0,8%, com consequências desastrosas para a taxa de desemprego que, no entanto, regrediu – de 12 para 7% desde 2000 -, mas que a recessão se prepara para fazer subir de novo para cerca de 10%.

Que fazer? Não vale a pena uma pessoa martirizar-se. O período de optimismo que, no limiar do século, se alimentava de êxitos inegáveis, como a criação do Mercado Único e do Euro, está mais do que encerrado. Hoje, avançamos sob a égide do realismo. O mundo mudou, a globalização avança. Pior, e para surpresa de todos, foi a China que ganhou a aposta feita, em vão, pela Europa que, no entanto, não desiste.

O novo símbolo, sem nome, não é o da capital portuguesa. Desta vez é uma data, "2020", talvez na esperança de rivalizar com "1992", o slogan do Mercado Único.

Depois do fracasso do primeiro plano decenal, surge a tentativa de elaboração de um novo. As consultas entre os 27 iniciaram-se em Novembro e estarão concluídas em meados de Janeiro [na cimeira do dia 11]. Depois, a 11 de Fevereiro, terá lugar em Bruxelas a primeira cimeira informal dos líderes europeus, na qual será analisado o primeiro esboço de propostas da Comissão Europeia. Mais tarde, na cimeira de Março, será feito um programa concreto para submeter à apreciação dos ministros da Finanças. No Conselho Europeu de Junho irá ser feita a versão final.

Um erro de método a não repetir

Não será uma revolução, mas sim a recuperação e realinhamento dos objectivos a atingir, procurando-se, no seio da União Europeia, "novas fontes de crescimento capazes de criar os empregos perdidos durante a crise" e, no exterior, meios para tirar partido da globalização e da interdependência dos Estados-membros. Tudo isto numa conjuntura claramente mais difícil do que a de 2000, visto que as actuais margens orçamentais são mais reduzidas, e os problemas sociais mais graves, ao mesmo tempo que a população europeia cresce.

Neste quadro, estabelecem-se três prioridades, de acordo com um primeiro documento da UE: o conhecimento e a educação, a I&D e a economia digital, para alimentarem o crescimento provocado pelas inovações de alto valor acrescentado; a flexisegurança, o espírito empreendedor e a formação ao longo da vida, para estimularem a criatividade e a coesão social; uma economia mais competitiva, mais ecológica e mais integrada, para aumentar a produtividade e a eficácia a todos os níveis, da energia aos transportes. A isto acresce uma melhoria qualitativa da despesa pública.

Lisboa terá sido um fracasso devido à falta de método: os objectivos eram adequados, mas não vinculativos, dependendo da boa vontade dos governantes. Será que a nova estratégia "UE 2020 irá incorrer no mesmo erro? Há muita gente que não acredita nela. Presentemente, há inúmeros nacionalismos na Europa. Seja o que for, este exercício, velho e novo, pouco importa, arrisca-se, uma vez mais, a muito barulho para nada, ou quase nada.