A língua italiana é muito permeável, como se pode ver na imprensa e demais meios de Comunicação Social. Com efeito, devido às infiltrações linguísticas que sofre permanentemente, tornou-se uma espécie de híbrido, incompreensível quando o neologismo, que foi buscar a uma língua estrangeira, contém o sentido da frase. Convém, pois, interrogarmo-nos sobre a evolução da linguagem na comunicação em 2010. Sem pretender ser exaustiva, tentarei apresentar as dez palavras de origem anglo-americana que – pela sua repercussão em alguns sectores fulcrais – têm grandes possibilidades de ocupar a boca de cena, este ano.

1) Duppie. Derivado do celebérrimo "yuppie", acrónimo de "young urban professional", aquele jovem quadro dinâmico, com cerca de trinta anos, carreirista e obcecado por dinheiro. Vinte anos depois, o "yuppie" foi substituído pelo "duppie": o "depressed urban professional" (jovem quadro deprimido), que perdeu o seu cargo de salário elevado. E que, para pagar as contas no fim do mês, é obrigado a aceitar aquilo que desprezava antigamente: trabalho temporário, frequentemente mal pago.

2) Frugal fatigue. Cansaço dos consumidores que – após meses de aperto de cinto e cortes forçados resultantes da crise – não suportam mais as carteiras vazias e os pagamentos de empréstimos aos bancos.

3) Warmist Aquelas pessoas que atribuem ao homem a responsabilidade pelas emissões desregradas de gases de todo o tipo para a atmosfera, agravando o efeito de estufa e provocando inapelavelmente o aquecimento climático. Ao contrário dos "warmists", os cépticos, chamados "deniers" – sejam eles climatólogos ou não –, consideram que não é necessário intervir com urgência no sentido de desacelerar o aumento da temperatura do planeta.

4) Meformer. Bloguista ou utilizador de uma rede social (em especial da Twitter) que escreve “posts” inspirados na sua vida pessoal, nos seus pensamentos e nas suas emoções. Internauta, frequentemente do sexo feminino, que desvia o uso das redes sociais centrando-as em si – ao contrário do "informer", que está no lugar certo.

5) Pop-up store. Loja que se instala em espaços vagos e fecha pouco depois de ter aberto. As mercadorias vendidas são produtos sazonais (gelados em locais de veraneio, brinquedos no período das festas de fim de ano, etc). O sucesso das “pop-up stores” deve-se ao facto de satisfazem a procura dos clientes com custos de gestão mínimos.

6) Staging. Na era da crise imobiliária, para conquistar um eventual comprador, é absolutamente necessário introduzir algumas alterações que tornem mais atraente aquilo que se pretende vender: pintar os muros, decorar uma sala, arranjar o jardim, etc.

7) Sexting. Composto de "sex" e de " texting", o “sexting” indica o envio de mensagens e imagens pornográficas por telemóvel. A maior parte das vezes, trata-se de fotografias que adolescentes trocam entre si. Mas o “sexting” é utilizado igualmente por adultos, que propagam desta forma pornografia com intuitos pedófilos.

8) Pre-gaming (ou pre-partying). Expressão que designa o hábito de se preparar para uma noitada ou uma festa, ingerindo previamente todo o tipo de bebidas alcoólicas. Muitos jovens, para evitarem gastar demasiado dinheiro no consumo de “cocktails” dispendiosos ou interditos, compram garrafas baratas de vinho ou de cerveja, começando a noite de farra já meios ébrios.

9) Nontroversy. Controvérsia inexistente, criada no papel, com o intuito de desviar a atenção da opinião pública de um assunto importante para outro apenas aparentemente mais interessante. Esta tendência refere-se essencialmente ao mundo da política, apoiado pela Comunicação Social, frequentemente instrumentalizada.

10) Blamestorming. Ao contrário do "brainstorming", que tem um sentido positivo, este neologismo com raiz em "blame" (acusação), designa reuniões profissionais durante as quais se procura encontrar responsáveis para um malogro (de um contrato ou objectivos financeiros não atingidos).

A American Dialect Society, organização muito atenta às alterações linguísticas, tanto no plano lexical como etimológico, acabou de eleger a palavra do ano 2009: trata-se da palavra “tweet”.