“A época faustosa dos alargamentos da União Europeia já acabou há muito”, constata Les Echos. “Esta mudança de estado de espírito sentiu-se no tom e nas palavras empregadas pelo comissário europeu, Stefan Füle, que apresentou o relatório anual consagrado à candidatura de nove Estados, dos Balcãs, Turquia e Islândia”, no dia 9 de novembro, em Bruxelas.

A Comissão, explica o diário económico francês, “propõe poucas etapas novas aos nove países que lhe batem à porta, concedendo o estatuto de candidato ao Montenegro, oriundo da ex-Jugoslávia, mas não à Albânia, à qual é pedido que garanta primeiro ‘a estabilidade das instituições, assegurando a democracia e o Estado de direito’”.

“A adesão da Croácia está à vista”, congratula-se o Vjesnik de Zagreb. Citando Stefan Füle, este diário próximo do Governo precisa que “os últimos 100 metros da maratona são sempre os mais difíceis de realizar”, em especial o capítulo “Justiça e luta contra a corrupção”, um dos oito que ainda não estão fechados, dos 33 do Tratado de Adesão.

Bruxelas, esclarece o Novi List, “aguarda, nomeadamente, que a Croácia intensifique os seus esforços na luta contra a corrupção ao mais alto nível, visando negócios que envolvem o partido no poder, o HDZ, implicado na extorsão de fundos de empresas públicas para encher os seus cofres”. Os inquéritos em curso já incriminaram um ministro e o tesoureiro do HDZ, bem como o antigo primeiro-ministro, Ivo Sanader, que se demitiu em 2009, sem razão aparente.

Para além da Croácia, a UE abre as suas portas aos recém-candidatos balcânicos “com prudência e hesitação”, considera o Rzeczpospolita. Quanto à Turquia, que continua a ser “um enorme problema para a UE”, as perspetivas são mais sombrias.

Mas a imprensa turca mantém-se praticamente muda sobre o assunto. Dever-se-á isso ao facto de 10 de novembro ser o dia do aniversário da morte do Ataturk (em 1938) e esta comemoração ocupar grande espaço nos meios de comunicação social turcos? Ou será de considerá-lo um sinal do desencanto da opinião pública para com a UE?

O Hürriyet sublinha que a Comissão criticou Ancara pela falta de concertação que caracterizou a revisão constitucional, aprovada por referendo em 12 de setembro passado. O diário salienta igualmente que Bruxelas critica o limiar eleitoral de 10% exigido para que um partido possa ter assento na Assembleia Nacional, pois nenhum país da UE tem um sistema tão severo. Esta observação não figurava nos relatórios de 2008 e 2009 e a sua introdução inscreve-se, sem dúvida, no desejo de levantar mais um obstáculo à questão curda, interpreta o Hürriyet.

Entre Bruxelas e Ancara, nota por seu lado La Stampa, “o diálogo fixa-se aparentemente sobre questões jurídicas e políticas: o caso curdo, o contencioso com Atenas, os direitos humanos, a discriminação religiosa, a condição feminina. Mas na verdade, a França e a Alemanha não querem ouvir falar nisso. E quando estes dois países fazem má cara, ninguém consegue fazer o processo da Sublime Porta entrar no bom caminho”.

Mas em geral, “a UE está cansada de alargamentos”, refere o Gazeta Wyborcza, que explica esta lassidão pela crise económica e a significativa imigração romena e búlgara que se seguiu à adesão destes dois países, em 2007. “Os franceses, os alemães e os austríacos estão muito reticentes em aceitar rapidamente novos países. Por seu lado, certos governos balcânicos sentem-se desencorajados pela falta de perspetivas de adesão na próxima década, perdendo motivação para combater a corrupção ou as violações da liberdade de expressão”, sublinha o diário de Varsóvia.

Neste contexto, “a apresentação do relatório sobre o alargamento e as negociações de adesão tornou-se, desde 2007, um ritual vazio de sentido e cheio de frases feitas”, considera o Standard. “Há tempos, ratificou-se o alargamento para Leste com a Roménia e a Bulgária. E depois gerou-se um grande cansaço.”

Todos os anos, recorda o diário austríaco, “a Comissão garantia aos restantes candidatos, a Croácia e a Turquia e, mais recentemente, a Islândia e o Montenegro, que eram feitos pequenos progressos, e apontava problemas políticos e económicos não resolvidos. E depois de cada relatório, desencadeava-se na opinião pública um debate aceso e polémico sobre a Turquia”.

Entre prós e contras, há “pouco espaço para opiniões intermédias”, lamenta o Standard. “É pena. A controvérsia em redor de Ancara esconde o facto de ser nos Balcãs, a região do alargamento mais próxima da União, que os progressos são maiores. [...] Isto é importante, particularmente para a Áustria. Devíamos discutir menos sobre a Turquia e mais sobre a preparação do momento em que todos os pequenos Estados balcânicos passarão a integrar a UE – provavelmente muito antes da Turquia.”