No Top 27, as alemãs são consideradas como óptimas condutoras (“Frauen fahren besser”); conhecem outro país com lugares de estacionamento reservados para mulheres (“Frauenparkplätze”)? Por razões de segurança, estão perto das saídas dos estacionamentos subterrâneos, o que se tornou uma piada à escala nacional.

As mulheres conduzem geralmente mais devagar do que os homens, como “os condutores de domingo” (“Söndagsbilist”, “Sonntagsbilist”, “Sonntagsfahrer” e “niedzielny kierowca” na Suécia, Dinamarca, Alemanha e Polónia) – é sabido que há menos tráfego no dia em que Deus criou o Homem. E na Polónia, porque o domingo é quando mais se pode “conduzir como uma velhota” (“jezdzic jak baba”).

Enquanto os alemães fazem da “mulher ao volante” uma caricatura, qualificando-as de “monstruosas” (“Frau Am Steuer-ungeheuer! ”), as nações latinas europeias fazem soar o alarme: “Mujer al volante, peligro constante”; “donne al volante, pericolo constante” (“Mulher ao volante, perigo constante”) – em Espanha e Itália. E em França: “Mulheres ao volante, mortos ao virar da esquina”. E o máximo, que vem dos italianos: “Mulheres e motores – alegrias e dores” (“Donne e motori gioie e dolori”).

Esta ideia feita está tão disseminada que o jogador Andrey Arshavin, do clube de futebol Arsenal, escreveu que não devia haver mulheres ao volante. Em Março, a estudante Anna Klevets, de 22 anos, tomou medidas contra a lei nacional 2000 de Putine, que impedia o acesso das mulheres a 456 empregos, nomeadamente a condução de comboio. As expressões dos russos e dos letões, respectivamente “женщиназарулем” e “sievietes pie stures” (“as mulheres ao volante”), retomam os preconceitos ingleses sobre as condutoras.

Milagros Gonzáles Mejías