Quatro países membros estimam que a União Europeia deveria estabelecer novos objetivos ambiciosos em termos de eficiência energética para os novos veículos até 2025, de modo a reduzir os custos de transporte para os consumidores e combater a alteração climática.

Os ministros do Ambiente e dos Transportes da Holanda, Irlanda, Suécia e Finlândia escreveram à Comissão Europeia a dizer que este novo objetivo deveria ser estabelecido no próximo ano. A meta de 2025 para os fabricantes de carros europeus seria uma adição à atual, para limitar a emissão a uma média de 95 g de CO2/km até 2021. Em 2014, a média foi de 123,4 g de CO2/km.

“Os novos objetivos ambiciosos para 2025, acompanhados por um pacote abrangente de medidas sobre a infraestrutura de reabastecimento e outras questões, encorajarão uma transição para uma motorização sem emissões em veículos particulares”, lê-se na carta, à qual o Guardian teve acesso. “Estes objetivos são essenciais para estimular novas inovações para desenvolver e melhorar os veículos elétricos, a hidrogénio e os híbridos recarregáveis”.

Um grupo misto de 11 eurodeputados também escreveu ao comissário europeu para o Clima e a Energia, Miguel Arias Cañete, apelando-lhe que confirme que irá anunciar no próximo ano novos objetivos em matéria de eficácia energética para a década de 2020.

O dono da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, revelou ao Guardian no início de junho que não poderá prever volumes de produção de viaturas elétricas, enquanto a UE, os Estados Unidos e a China não revelarem os seus planos no que diz respeito às normas de combustível para 2030.

Estas intervenções definem o quadro para uma nova batalha sobre a regulamentação, no qual a Alemanha deverá opor-se aos objetivos ambiciosos devido aos interesses de fabricantes como a BMW e a Daimler.

Nas últimas negociações sobre a eficiência energética da indústria automóvel, há dois anos, a chanceler alemã Angela Merkel assumiu uma posição rígida, fazendo com que o limite de emissões aprovado pelos outros países fosse congelado e, mais tarde, flexibilizado.

Mas desta vez, vários países da União Europeia parecem estar bem conscientes de que os compromissos moderados da Europa, no que respeita às energias renováveis e à melhoria da eficiência energética, não permitirão atingir os 40% de redução das emissões de CO2 que os dirigentes se comprometeram a alcançar.

A indústria automóvel também está consciente disto e consultou cautelosamente os defensores ambientais e dos consumidores, de modo a manifestar uma oposição mais subtil face às obrigações de redução das emissões.

A Associação dos Fabricantes Europeus de Automóveis (ACEA), que representa as marcas mais importantes, afirma que está a tentar criar uma aliança tão vasta como inédita relativamente às abordagens alternativas para um objetivo para 2025.

“Existe um limite para o que podemos melhorar do ponto de vista tecnológico [para reduzir as emissões] na indústria automóvel. Portanto, é importante que se envolva a opinião de todas as partes interessadas, para que se defina um programa mais ambicioso sobre a alteração climática”, declarou um porta-voz.

Um texto recente a expressar a posição da ACEA propôs a redução da poluição automóvel em cada renovação da frota, uma utilização mais ampla de agrocombustíveis, sistemas de transporte “inteligentes” e aulas obrigatórias de eco-condução para os condutores. Trata-se de ensinar os condutores a mudar seu comportamento, antecipando a circulação, utilizando o acelerador de forma mais lenta e suave, levantando o pé mais cedo e nunca acelerando ao aproximar-se de um semáforo.

“Está provado que a eco-condução é eficaz, mas apenas por um curto período”, disse Greg Archer, um porta-voz da ONG ambiental Transport and Environment (T&E). “Logo a seguir, as pessoas conduzem de forma mais económica, mas rapidamente voltam ao seu estilo de condução normal”.

Uma análise recente de T&E revelou que as metas de eficiência energética dos automóveis para 2025 e 2030 poderiam produzir quase metade da totalidade da contribuição do setor dos transportes, os limiares estabelecidos para 2030. Sem elas, seriam necessários impostos pesados sobre o combustível, novas portagens ou profundas reformas do planeamento.

Por seu lado, os fabricantes de automóveis afirmam que as medidas mais fáceis de implementar para reduzir as emissões já foram tomadas – com grande custo para a indústria – e que quaisquer normas de combustíveis adicionais dependerão da transição para os veículos elétricos.

Uma fonte europeia, que deseja permanecer anónima, qualificou este argumento como uma “desinformação”, uma vez que as pesquisas indicam que as propulsões diesel híbridas poderiam reduzir as emissões de CO2 para 65 g por quilómetro até 2035.

“É um absurdo”, acrescentou o funcionário europeu: “Existe potencial técnico para melhorar ainda mais os motores de combustão interna”.

Em 2013, a Comissão comprometeu-se a rever os limites estabelecidos para 2025 (68-78 g por quilómetro de CO2 para os veículos novos) no ano seguinte. A tarefa ainda não foi concluída.

Este artigo faz parte da parceria do VoxEurop com o The Guardian no âmbito da sua campanha de desinvestimento dos combustíveis fósseis Keep it in the Ground.