Washington, 17 de abril. Reunião do fórumInternational Institute of Finance, que engloba bancos, investidores e instituições monetárias e financeiras. Nos bastidores, o economista americano Nouriel Roubini – célebre por ter previsto a crise dos subprimes, mas também presidente da RGE Monitor, que vende (caro) "consultoria" aos investidores – não se poupa a esforços para convencer os seus interlocutores de que a re-estruturação da dívida grega está iminente.

Tirando partido de uma série de encontros com o ministro das Finanças de Atenas, George Papaconstantinou, dá a entender que a re-estruturação já foi pedida secretamente. Apesar de, alguns minutos antes, Papaconstantinou ter pronunciado um discurso em que afirmava que re-estruturar a dívida estava fora de questão. Roubini quer orientar o mercado: apostar no incumprimento da Grécia não é arriscado, diz.

Na verdade, se toda a gente for no mesmo sentido, a previsão cumprir-se-á… Um despacho da agência de notícias Dow Jones, datado do mesmo dia, afirma que "a Grécia propõe a re-estruturação da sua dívida", citando fontes não identificadas que reproduzem o discurso de… Roubini. O bastante para dar credibilidade às afirmações deste. A "informação" foi retomada pela imprensa financeira.

Dos rumores "ao crime"

Estas notícias desencadearam uma tempestade nos mercados. Serão precisos vários dias para restabelecer a calma. Sexta-feira, a cena repete-se: a página Internet do semanário alemão Der Spiegel revela que, nessa mesma noite, se realizará no Luxemburgo uma "reunião secreta" dos ministros das Finanças da zona euro. Desta vez, para analisar o "pedido grego" para sair da zona euro. Nada menos. Nenhuma fonte citada, mas isso não impede as agências de a veicularem. O euro cai.

Objetivo: debater com Papaconstantinou o plano de ajustamento grego. Reuniões habituais em período de crise. "Não discutimos a saída da Grécia da zona euro. Todos nós pensamos que seria uma opção estúpida", explicou Juncker. Para o primeiro-ministro grego, Georges Papandréou, estes rumores "são, em última análise, crime".

Quem beneficia do "crime"? Aqueles que têm posições contra Atenas. Trata-se, designadamente, daqueles que compraram CDS gregos (credit default swap, swap de risco de incumprimento) e que poderão recuperar o dinheiro investido, em caso de incumprimento. De considerar ainda aqueles que estão endividados na Grécia ou que retiraram o dinheiro do país e que têm todo o interesse em regressar ao dracma. A roda dos boatos ainda não parou de girar.