Para mandar... muitos pensam que é necessário ser-se grande. Há exemplos que os contradizem, como Sarkozy ou Berlusconi, que, para além dos saltos nos sapatos, se põem em bicos de pés para as fotografias. Mas, a pequena estatura dá origem a muitas piadas. Em França, fala-se de “petit teigneux” – à letra, tinhozecos – ou de um “curto com patas” – o portuguesinho “rodas baixas”… Na península italiana, são mais poéticos: os pequenotes são “rolhas de garrafa” (“un tappo de bottiglia”). Referência partilhada pelos vizinhos espanhóis, que, habituados ao sol, comparam esses homens com “um tampão de piscina” (“tapón alberca”).

Serão os portugueses gente mais doméstica, para falarem em “tacos de pia”? Quanto aos alemães, mais afeitos à pluviosidade, associam-nos aos “Knirps”, os famosos miniguarda-chuvas de bolso.

Mas, felizmente, os homens não se medem aos palmos! Os mais baixos tentam frequentemente compensar essa desvantagem, o que é reconhecido em certas culturas. Na Lituânia, diz-se que o essencial não está na altura, e o que conta é o pontapé (“svarbu ne ūgis, o smūgis”) – afinal, ser baixo pode representar mesmo uma vantagem! Ou pode adoptar-se o tom protector dos alemães perante esses seres “pequenos mas delicados” (Klein aber fein) ou que “cozinham pães pequenos” (“Kleine Brötchen backen”).

O equivalente português é talvez mais economicista, quando nos referimos aos “meia-dose” ou “meia-leca”... A defesa à francesa diz que são “pequenos mas fortalhaços”. Já no registo inglês, os pequenos são associados a bons amantes, recordando que “good things come in small packages”, tradução livre do nosso “pequenino mas com muita arrumação. Os minorcas polacos também se sabem defender contra as piadas e respondem: “gdy rozdawali wzrost, stałem/stałam po inteligencję”. Tradução, please? “No momento de ir escolher a altura, eles estavam ocupados a buscar a inteligência.” É assim mesmo!

Parece que os únicos que se lembraram de discriminar positivamente as mulheres foram os portugueses. Transcrevo por ser nacional, adaptado à época estival… e muito adequado ao meu quase metro e meio de altura: “A mulher, como a sardinha, quer-se pequenininha”!

Pierre-Anthony Canovas