Compra produtos biológicos e todas as manhãs salta para a bicicleta: em Inglaterra gostam de gozar o homo ecolo-sapiens. Chamam-lhe “mother earth lover” (“amante da Mãe Natureza”) ou “bug-eater” (“comedor de insectos”) e quase esquecem que as lojas de produtos biológicos vendem antipasti italiano ou chocolate fino e não baratas moídas. Mas não vale a pena dizer nada! Porque apenas serviria para voltar a fazer brotar o já estafado “tree hugger” (“abraçador de árvores”).

Verdadeiros prodígios linguísticos, são os alemães que os inventam: “Öko” ou “Ök” (que significam simplesmente “ecologista”) não têm conotações específicas; mas o mesmo não se passa com os termos “Kartoffelstempler” e “Waldorfschüler” que remetem respectivamente para tampões esculpidos em batata e as escolas Waldorf, onde as crianças são educadas segundo os princípios de uma pedagogia alternativa. Os ecologistas são pacifistas? Então chamam-lhes “Friedensbrezel” (“bretzel da paz”). Comem cereais? Ei-los transformados em “Müsliesser” (“comedor de muesli”) e “Körnerfresser” (“papa-cereais”). Estas denominações foram progressivamente substituídas por “Bionadedrinker” (“bebedor de Bionade”) – uma bebida muito na moda além-Reno. Já na França, instalou-se o “bobo bio” – burguês e boémio deixou de ser suficiente, há agora que se distinguir e comer alimentos biológicos!

Lilian Maria Pithan, tradução de Marion Kapps e Ana Cardoso Pires – para português