Sabemos que os noruegueses têm um comportamento à parte, que votam sistematicamente contra a adesão à União Europeia, não só porque têm uma vantagem especial em matéria de recursos naturais, que lhes garante rendimentos mais elevados, mas também porque têm uma cultura mais "isolacionista". Quando olham para Bruxelas, veem os mesmos debates sobre o mercado único, as mesmas imagens de dirigentes a cumprimentar-se, a fazer promessas mútuas e, depois do regresso ao seu país, a serem atingidos por amnésia e a culparem Bruxelas pelos seus fracassos. Nessa altura, os noruegueses, pessoas que gostam de tudo claro, correto e eficaz, perguntam-se: como é possível entender o que se passa em Bruxelas?

Neste contexto, o massacre em Oslo e na ilha vizinha de Utoya é significativo não apenas para a Noruega, mas também para a UE. Para a Noruega, é um sinal de alarme, mostrando que não pode continuar na via do "esplêndido isolamento" e que o multilateralismo mecânico não substitui uma participação inteiramente assumida na gestão das interdependências globais.

Quanto aos Estados-membros da UE e sobretudo as instituições comunitárias de Bruxelas, têm o dever de não hesitar em proceder a uma construção europeia mais sólida e eficaz, necessária não apenas para o que nos ensinou a recente crise financeira, mas também em função das graves consequências da atual crise política e moral do nosso continente.

Alarme também soou em Bruxelas

Somos 27 Estados, na União Europeia, mais de 500 milhões de pessoas, dezenas de nações, com dezenas de línguas, costumes e culturas nacionais, regionais e locais. Mesmo a maior nação da UE é apenas uma minoria em comparação com o todo dos cidadãos europeus; cada indivíduo ilustra uma diversidade que é um dos fundamentos da construção europeia encetada por Monnet e Schuman. No entanto, no meio dessa diversidade, existe também um potencial de conflito que deve ser tratado de forma adequada. Não é à toa que o continente europeu tem a triste responsabilidade de ter desencadeado os conflitos mundiais mais devastadores do século passado. E agora, no início do século XXI, constata-se que o turbilhão da globalização, das tecnologias de comunicação, da livre circulação de pessoas e bens, da evolução demográfica e das migrações internacionais nos coloca o desafio de gerir uma diversidade mais ampla do que a que era "clássica" na Europa.

Esta situação gera muitas vezes confusão, atitudes desesperadas e disfunções, não só a nível institucional, mas também nas manifestações individuais. É por isso que a gestão da diversidade deve ser uma preocupação séria e quotidiana dos governos e autoridades locais dos Estados-membros da União, bem como da UE.

Há dois anos, quando a presidência europeia foi assegurada pela Suécia, foi colocado na agenda o "Programa de Estocolmo", relativo à Justiça e Assuntos Internos, em que um dos objetivos era "proporcionar direitos, responsabilidades e oportunidades comparáveis para todos", imigrantes ou não. Depois disso, o Conselho Europeu de dezembro de 2009 aprovou uma série de medidas que os Estados-membros deveriam aplicar. Estes desenvolveram, por sua vez, estratégias nacionais e locais, contra o racismo e de gestão da diversidade, cuja aplicação deveria ser vigiada e avaliada.

Em vez da aplicação dessas estratégias, temos assistido a discursos nacionalistas e xenófobos, e à proliferação de certas correntes políticas que se pensava terem já desaparecido. Tudo em nome da democracia e mesmo do reforço da identidade europeia!

Em Oslo, o alarme soou também para Bruxelas!