Abaixo os prémios. A duas semanas da cimeira do G20, que se realizará em Pittsburgh, nos Estados Unidos, em 24 e 25 de Setembro, alguns dirigentes europeus elaboraram uma posição comum para enquadramento dos prémios dos banqueiros. Em 3 de Setembro, a Chanceler alemã Angela Merkel, o Presidente francês Nicolas Sarkozy e o primeiro-ministro britânico Gordon Brown publicaram uma carta, exigindo "regras obrigatórias" em todos os países do G20. Ao mesmo tempo, sete ministros das Finanças europeusapelarama regras comuns no seio da UE.

"Prémios, a Europa unida face à América" é o título de Le Fígaro, que saúda "a adesão espectacular dos britânicos à linha dura defendida por Paris e Berlim". Neste momento, opina este diário francês, falta apenas um compromisso dos Estados Unidos para que, finalmente, se concretize a moralização do capitalismo financeiro que a UE deseja. "A três semanas de Pittsburgh, a Europa encosta [Obama] à parede."

"É evidente que os ventos da mudança são fortes",dizo Cotidianul. Este diário de Bucareste recorda que a mudança começou por se manifestar nos Estados Unidos, com as primeiras medidas de Barack Obama contra a crise financeira, que muitos pensaram ser "um acidente de percurso". Mas, com "a queda espectacular dos liberais democratas japoneses", no fim de Agosto, o processo acelerou-se. "Se a mudança já afecta as duas principais economias do mundo, é difícil acreditar que a tendência possa inverter-se."

Banqueiros podem ter peso na credibilidade dos G20

O Le Soir considera, porém, que este consenso europeu é bastante frágil. Duvidando da vontade real de Gordon Brown de impor regras internacionais restritivas e da capacidade da UE de convencer os Estados Unidos nesta matéria, este diário de Bruxelas sublinha que "basta uma praça financeira não entrar no jogo para tudo cair por terra". Porque a verdadeira parada se situa noutro terreno, analisao Le Temps. "Mesmo que não possamos deixar de denunciar os seus excessos", os prémios, "são mais um sintoma de um sistema que funciona mal do que a sua causa". Para este diário de Genebra, "o verdadeiro"teste de"governação mundial" dá-se face aos bancos, que, "tendo voltado a ser rentáveis e poderosos, se opõem a uma reforma profunda".

Na véspera de uma reunião dos ministros das Finanças do G20 e dos responsáveis dos bancos centrais, em Londres, o Handelsblatt defende que a prioridade é atacar o "fundo oculto da crise financeira": a ideia inglesa de "too big to fail" [demasiado grande para cair]. O número de bancos que atingiram essa dimensão crítica é tal que a sua queda poria em perigo a estabilidade de todo o sistema financeiro. Portanto, para o G20, é essencial "gerir o problema dos bancos demasiado grandes através de mecanismos conformes com o mercado", preconiza o Handelsblatt. "*Parece que os membros europeus do G20 têm em vista uma espécie de imposto de imortalidade**.*" Nesse caso, "*os bancos que são demasiado grandes para que possamos deixá-los morrer seriam obrigados a manter mais fundos próprios, onerosos, para proteger os seus negócios. Esse amortecedor seria o preço a pagar para obter a garantia estatal de salvamento dos bancos".*

O jogo político do ataque aos prémios

Recordando que o sector financeiro é "fundamental para o relançamento da economia em geral", o Daily Telegraph considera que "o desejo subliminar e compreensível de estrangular os banqueiros desviados" [do bom caminho] deve ser "moderado pelo desejo de os ver retomar uma actividade normal. As despesas geradas por taxas e regulamentos suplementares teriam repercussões sobre as empresas com empréstimos, tornando mais difícil o financiamento das empresas, quando a retoma chegar".

Conformeobservao Rzeczpospolita, a ideia de atacar os prémios "é aclamada". Mas esta reacção firme dos dirigentes políticos talvez esconda um cálculo político, acrescenta este diário de Varsóvia. Porque "fazer recair a responsabilidade pela crise sobre os banqueiros, já de si impopulares, e forçá-los a pagar por isso é qualquer coisa que os eleitores vão sem dúvida adorar. Seja como for, muito mais do que saber que as dívidas geradas pelos milhares de biliões de dólares injectados na economia, talvez de uma maneira imprudente, terão de ser pagos um dia".