Sem saída?

18 maio 2012 – Presseurop

"Grexit": palavra construída a partir de “Grécia” e “exit” [saída], significando Grécia fora da zona euro; foi cunhada no início deste ano, como uma espada de Dâmocles brandida por cima da cabeça dos gregos – que negociavam então o anulamento de parte da sua dívida com os bancos. Tal como no outono, quando o primeiro-ministro George Papandreu quis submeter o plano de salvação do seu país a um referendo de resultado arriscado, mercados e parceiros europeus deixaram entender que, se Atenas não desse provas de "boa vontade", o problema reduzia-se a uma simples questão: "Querem ou não ficar no euro?"

Hoje, depois uma eleição que demonstrou a força dos partidos que se opõem à política de austeridade exigida pela UE e pelo FMI, além da falência dos grandes partidos tradicionais, a Grexit torna-se, mais que uma ameaça retórica, um caso real. E as novas eleições previstas para 17 de junho podem ainda agravar a situação.

A Grexit será a solução? Economistas e políticos pesam e repesam os prós e contras, sem descortinarem o que seria pior. Por agora, como observa Il Sole-24 Ore, o debate mais parece um “bluff”, a ver se pega. Um “bluff” perigoso.

Os europeus estão confrontados com uma escolha impossível. Tirar a Grécia da zona euro, o que nenhum tratado prevê, é correr o risco de perda de confiança em todo o sistema económico europeu e uma perda de credibilidade da UE enquanto projeto político e potência mundial. Tentar recuperá-la é correr o risco de uma política que destrói o tecido social grego, enfraquece a democracia no país que gostamos de recordar repetidamente que é o berço, e leva a gastar milhares de milhões de euros em vão, já que o Estado grego é hoje uma ficção.

Tudo isso para um Estado que representa entre 2 e 3% do PIB europeu. A UE vê-se confrontada com este impasse, porque está entalada entre duas realidades: demasiado integrada económica e politicamente para não ser ameaçada pela crise grega e não o suficiente para ter meios de fuga. Se não fosse a moeda única e o mercado interno, podia mais facilmente deixar os gregos endividar-se e desvalorizar a sua moeda nacional. Com mecanismos de maior coordenação das políticas orçamentais e dos meios para impor uma reforma do Estado à Grécia, especialmente em matéria de cobrança de impostos e de luta contra a corrupção, podia – hipoteticamente – empurrar a Grécia para uma saída da crise.

Mas como convencer os europeus de que a solução para a crise da Europa é mais Europa? Os dirigentes da UE estão a pagar a fatura de duas décadas de aceleração da integração europeia, desde o Ato Único de 1986 ao Tratado de Lisboa de 2009, crivadas de promessas de prosperidade e sem respostas para a questão da democracia no interior da União.

Quando a crise da dívida se soma à fadiga institucional, a Europa vê-se na situação do Minotauro: num labirinto de que procura a saída. Ouvi: "Grexit".

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