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“Um míni acordo para a Europa”, titula o Corriere della Sera horas antes de o primeiro-ministro Silvio Berlusconi viajar até Bruxelas, para a cimeira da zona euro, onde se espera que apresente o novo plano de austeridade de Itália. O partido de Berlusconi e a Liga do Norte, seu parceiro de coligação, têm-se esforçado, nos últimos dias, para chegarem a acordo sobre as pensões, como exigido pela UE.

“O atual sistema de pensões não foi alterado por causa da oposição de Umberto Bossi, da Liga do Norte”, explica o Corriere della Sera, mas sabe-se que “a coligação chegou a acordo para subir a idade de reforma para os 67 anos”. Num editorial sobre este assunto, Ferruccio de Bartoli, editor-chefe do Corriere della Sera, apela aos políticos italianos para que ponham as divisões de lado e pede a Berlusconi que se demita: “A Itália não é a Grécia. No entanto, mesmo que isso seja injusto para nós, deixámos de merecer a confiança da Europa. Durante meses, anunciámos medidas que nunca aprovámos. Berlusconi tem de se demitir. É o único culpado por esta situação”.

Roberto Napoletano, editor-chefe do diário económico italiano Il Sole 24 Ore, concorda: “Berlusconi e o seu Governo continuam a não assumir as suas responsabilidades. Itália tem de acabar com esta vergonhosa farsa”. Apesar do acordo sobre o pacote de austeridade, o Governo de Berlusconi parece estar, uma vez mais, à beira do colapso. Segundo La Repubblica, o primeiro-ministro deve demitir-se em dezembro próximo ou em janeiro de 2012, antecipando as eleições gerais que deviam realizar-se em 2013 e evitando, assim, o “desvantajoso” novo sistema eleitoral que, muito provavelmente, será aprovado no próximo referendo nacional.