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“Eis o decreto que salva Itália”: La Repubblica retoma as palavras com as quais o chefe do Governo Mario Monti apresentou no dia 4 de dezembro o seu plano de austeridade, que deve restabelecer o equilíbrio orçamental e a confiança dos mercados relativamente à dívida italiana. O plano, que deve ser aprovado pelo parlamento neste dia 5 de dezembro, envolve 30 mil milhões de euros, dos quais 20 serão utilizados em medidas de rigor e dez em medidas de relançamento. Entre as medidas principais está a reintrodução do imposto sobre a propriedade, o aumento do IVA para 23% e a idade de reforma aos 66 anos, além dos cortes nas despesas públicas.

Para o diário romano, trata-se de um plano “pesado para os contribuintes, mas indispensável para evitar o incumprimento do nosso país, que marcou o fim do euro e das ambições políticas da Europa”. Monti teria beneficiado, ao contrário daquilo que se receava, de uma “margem de autonomia política e nacional” perante Bruxelas e Frankfurt, estima por fim La Repubblica, que critica contudo “a habitual excessiva cobrança de impostos aos contribuintes e falta de cobrança dos mesmos às coletividades locais”.

Uma opinião partilhada pelo Corriere della Sera, para o qual Monti administrou aos italianos “um medicamento amargo […] as classes médias continuarão a ter a sensação de ser consideradas pelos governos no poder – técnicos ou políticos, pouco importa – como uma espécie de ATM, portadores abastados que poderão ser facilmente extorquidos”.

Il Sole 24 Ore comenta por fim: “aceitamos pagar mais (muito mais), mas não em vão […]. Estamos dispostos a fazê-lo e a sermos cuidadosos até ao fim relativamente ao nível de igualdade dos sacrifícios pedidos. Em troca, porém, o plano Monti deve favorecer de forma significativa o rebentamento da bolha das taxas sobre os títulos italianos”.

Uma exigência que os mercados parecem ter percebido: no dia seguinte ao anúncio do plano, o fosso entre as taxas alemãs e italianas voltou estar abaixo da barreira dos 400 pontos, enquanto a bolsa de Milão registava uma subida de 2%, informa o Corriere della Sera.