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Um "ajustamento histórico", considera El País, no dia da apresentação do orçamento para 2012 pelo Governo de Mariano Rajoy e após a greve geral contra os cortes e as reformas do mercado de trabalho.

Centenas de milhares de pessoas reuniram-se nas cidades espanholas, convocadas pelos principais sindicatos, a UGT e as CCOO. Para o diário madrileno, o orçamento pretende "responder a boa parte do mistério de uma equação diabólica: como subtrair 35 mil milhões de euros [revisto em 27,3 milhões de euros pelo Governo, a 30 de março] ao défice público – de 8,5% para 5,3% do PIB – em plena recessão?"

Os cortes afetarão os gastos em toda a Administração Pública: os orçamentos dos ministérios serão reduzidos, em média, pelo menos 17%, em comparação com 2011 (num mínimo de dez mil milhões de euros) e os funcionários terão os salários congelados pelo segundo ano consecutivo.

No total, a administração central terá de reduzir o seu défice em 17,5 mil milhões de euros, as regiões em 15,6 mil milhões e os municípios em mil milhões. O setor social também é chamado a fazer cortes: a Segurança Social deverá economizar cerca de mil milhões de euros.

A isto, somam-se novas receitas fiscais: supressão de deduções fiscais para as empresas e aumento do IVA para certos bens e serviços. Para El País, “o objetivo parece exequível, mas a recessão complica tudo":

A questão está em saber se as tesouradas atingiram o limite. Porque, se for o caso, devem realizar-se mudanças radicais na estrutura da administração. Deve-se igualmente equilibrar o aumento dos gastos causados pelos juros da dívida pública [...]. A chave para o sucesso permanece na distribuição dos esforços.