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França não poderá proibir o uso do véu islâmico integral de uma maneira "geral e absoluta" no espaço público, pois isso seria ilegal. É esta a substância do parecer que o Conselho de Estado entregou, no dia 30 de Março, ao Governo francês. O princípio da laicidade, evocado pelo executivo para "legislar a todo o custo sobre o porte do véu islâmico integral", impõe-se às instituições e funcionários públicos, mas não à sociedade e aos indivíduos, excepto em estabelecimentos públicos, explica Le Monde.

Uma proibição em nome do princípio da dignidade da pessoa humana também não é admissível, nota o Conselho de Estado, que recorda o facto de o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem proteger o livre-arbítrio, desde que este não afecte terceiros. A solução preconizada é, portanto, limitar a proibição em determinados locais: assembleias de voto, tribunais, salas de exame, por exemplo. Entretanto, já a 31 de Março, os deputados belgas, reunidos em comissão, manifestaram-se a favor de uma lei que visa proibir o véu islâmico integral no espaço público, incluindo a rua, facto inédito na Europa.