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Pela primeira vez desde que assumiu o cargo, Durão Barroso opôs-se em público à Alemanha, ou melhor, às alterações ao Tratado de Lisboa que a chanceler Angela Merkel pretendia introduzir, noticia o Dziennik Gazeta Prawna. Berlim quer que o Tratado estabeleça penalizações para os países da zona euro que ultrapassem repetidamente os níveis autorizados do défice orçamental. "Seria ingenuidade pensar que o Tratado pode ser reformado apenas nas áreas em que a Alemanha está interessada", disse o presidente da Comissão Europeia. Barroso conta com o apoio da maioria dos especialistas, que pensam que introduzir as alterações propostas seria o mesmo que abrir a caixa de Pandora. O diário de Varsóvia considera que a verdadeira questão é que "Berlim quer curar o euro de uma forma dinâmica, enquanto Bruxelas prefere uma actuação mais lenta, mais cautelosa e mais europeia". O jornal interroga-se, num editorial, se o presidente da Comissão, surpreendentemente mudo durante a crise grega, estará a tentar recuperar o terreno perdido. Atacar a Alemanha não envolve grandes riscos, salienta o mesmo diário, dada a forma fria como o plano de Merkel foi acolhido por muitos Estados-membros, entre os quais o Reino Unido e a França.