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"São precisos sacrifícios", titula o Corriere della Sera, citando o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi. Meses depois de se ter agarrado à ideia de que a Itália evitaria a crise orçamental que alastrou pela Europa por causa da crise económica, o Cavaliere deu-se finalmente por vencido. Rumores recentes sobre cortes generalizados na despesa pública tomaram corpo com o anúncio oficial de um pacote de austeridade de 24 mil milhões de euros: congelamento de salários, cortes na despesa pública e até mesmo o encerramento de algumas administrações provinciais. Enquanto os sindicatos ameaçam com uma greve geral, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, realçou que "a Itália está no bom caminho". As más notícias chegam com a publicação de um relatório do Instituto Nacional de Estatística de Itália (ISTAT) que revela a existência de 15% de agregados familiares italianos em situação de "precariedade económica". Para agravar a situação, dois milhões de jovens, entre os 15 e os 29 anos de idade, da geração “neet” (Sem Educação, Emprego, ou Formação) e 29%, entre os 30 e os 34, ainda vivem em casa dos pais.