É uma das tecnologias chave do século XXI: o mercado da energia solar suscita tais cobiças que a União Europeia e a China estão a comportar-se como "guerreiros do sol", diz em título o Frankfurter Rundschau, que prevê "o maior conflito comercial da história".

O litígio gira em torno das subvenções de Pequim à sua indústria solar, que os europeus consideram excessivos e demasiado exclusivos. Os produtores chineses de fotovoltaico beneficiam de créditos de vários milhares de milhões de dólares, sem precisarem de apresentar garantias sérias. Graças a este sistema confortável,

conseguiram, em alguns anos, não apenas chegar ao nível dos europeus mas ultrapassá-los. Hoje, produzem com a mesma qualidade e com um custo de menos 40%. […] Presentemente, mais de 80% dos módulos instalados na Europa vêm da China.

Alarmados pela falência de um dos líderes do setor, a empresa alemã Q-Cells, os europeus ripostam. Levada pela empresa Solarworld, a federação europeia apresentou queixa à Comissão Europeia por "dumping". Bruxelas poderá decidir sanções nos próximos meses. Mas, precisa este diário,

(...) os efeitos serão enormes. Com uma quota de 70%, a Europa é de longe o mercado mais importante do fotovoltaico. Perante isto, a China toma uma posição musculada e esgrime a ameaça de um processo contra os produtores europeus de silício, uma das componentes fundamentais das células solares.

E a disputa não fica por aqui. Segundo alguns rumores, representantes chineses teriam advertido as empresas automóveis europeias de que um boicote na área da energia solar teria consequências extremamente negativas para elas. Uma escalada que preocupa o Frankfurter Rundschau:

Se a China se mostrar conciliatória e convocar os seus grupos, a coisa pode acabar bem. Na pior das hipóteses, paira no ar uma guerra comercial universal.