Instituições europeias: Contra ou a favor de uma mulher no BCE, todos os meios são bons

6 novembro 2012 – Presseurop Financial Times, Les Echos

“Se pensa que a longa e interminável saga da nomeação de Yves Mersh para um lugar na poderosa administração do Banco Central Europeu não pode ficar ainda mais estranha, pense duas vezes”, anuncia o Financial Times.

O diário económico noticia que o banqueiro luxemburguês cuja candidatura foi anteriormente rejeitada pelo Parlamento Europeu por razões de paridade de género, enfrenta agora a oposição do Governo espanhol, com Madrid a

informar Herman Van Rompuy, o presidente do Conselho Europeu, que se opõe ao “procedimento escrito” acelerado que Van Rompuy iniciou para finalmente conseguir sentar Yves Mersh no conselho executivo do BCE.

Evidentemente, acrescenta o FT, Espanha está a tentar

sentar à mesa um candidato espanhol. E com o Parlamento Europeu a recusar o apoio a Mersch porque não há uma única mulher na administração do BCE, é de esperar que, agora, Rajoy chegue a Bruxelas com o nome de uma candidata feminina espanhola – muito provavelmente Belén Romana García, antiga diretora do Tesouro espanhol. […] Quem tem razões para celebrar é o Parlamento Europeu que, agora, acredita que os seus esforços para haver uma mulher na administração do BCE – coisa que até à semana passada parecia completamente quixotesca – podem finalmente dar frutos.

Atenção, previne, no entanto, Les Echos, a decisão de Espanha não se explica

tanto por desvelo feminista mas sim pela vontade de querer defender os seus interesses. [E] os chefes de Estado e de governo dos outros países, que querem evidentemente ter uma posição de força, tudo farão para vencerem a oposição de Madrid.

Este episódio, acrescenta o diário económico, levanta a questão do funcionamento das instituições europeias:

Por que razão o Conselho infligiu um tal golpe ao Parlamento, numa altura em que os governos estão de acordo quanto à necessidade desse mesmo Parlamento dever ser reforçado para se chegar a uma Europa com mais legitimidade? É sobretudo culpa do mecanismo dos organismos internacionais. […] Há uma outra razão que explica a escolha do Conselho: o Banco Central é um meio pequeno que também funciona por cooptação entre especialistas. […] O verdadeiro problema é que as mulheres são raríssimas nesse círculo. Por isso, a administração do BCE está sempre cheia de homens.

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