Cover

“É um primeiro-ministro corrupto que se aproveitou da guerra”: É com as palavras do juiz Turudić que o Jutarnji list anuncia a condenação de Ivo Sanader a dez anos de prisão por corrupção. Este julgamento do homem que esteve à frente do Governo entre 2003 e 2009, explica o diário,

abre um precedente histórico. O Estado de Direito e a vox populi chegaram finalmente a acordo. A decisão confirmou aquilo que toda a gente sabia: que a Croácia tinha um primeiro-ministro e um poder corruptos, prontos para vender os interesses vitais do Estado por um punhado de milhões de euros. [...] O regresso de Sanader à prisão irá marcar o fim definitivo de um modelo de “gangsterismo” na governação do Estado. [...] É uma boa notícia para a imagem da Croácia aos olhos do mundo, [pois] o combate à corrupção tem sido uma das principais condições impostas à Croácia para a sua adesão à UE.

O dirigente destituído deixa um legado paradoxal, adianta o Jutarnji list:

Afastou do HDZ [a União Democrática Croata que está à frente do país desde a independência de 1991] os adeptos do núcleo duro de direita. Restabeleceu a ponte com a minoria sérvia e deu a impressão de ser um homem de Estado culto (falava inglês, alemão, italiano e francês fluentemente) que sabia o que queria. Abriu a porta das negociações de adesão graças à sua determinação em cooperar estreitamente com o Tribunal de Haia, chegando mesmo a ajudar a localizar o general Gorovina em fuga [cuja detenção era uma condição para as negociações de adesão à UE. Gotovina foi absolvido a 16 de novembro].

Ivo Sanader foi condenado por ter recebido €10 milhões do MOL, o consórcio húngaro de hidrocarbonetos, e €500 mil do banco austríaco Hypo Group Alpe Adria. “A longa queda de Ivo Sanader” é a primeira condenação por corrupção de um antigo primeiro-ministro na Europa, observa Die Presse. O diário austríaco recorda os múltiplos escândalos do Hypo Group Alpe Adria, muito presente nos Balcãs na década de 1990, antes da sua nacionalização a seguir à crise financeira de 2008, e nota que este assunto ultrapassa o simples contexto da Croácia:

Sanader tinha um papel fulcral. Mas não era o único. Se compararmos os supostos montantes recebidos por Sanader com os valores desaparecidos a seguir à nacionalização do banco, estaremos a falar de peanuts. [...] Para o jornalista croata Predrad Lucić, é preciso que haja condenações “de Munique a Salónica. Neste momento, toda a gente está contente de ter encontrado em Sanader um bode expiatório”.