"Isto não nos diz nada", é o título de De Standaard, por cima de uma fotografia de um jovem paquistanês com lama pela cintura. O diário debruça-se sobre o fraco empenho do Ocidente perante as inundações mortíferas no Paquistão. As ONG hesitam em lançar campanhas, porque a opinião pública não parece suficientemente mobilizada. "A solidariedade depende de quatro fatores", explica o diário de Bruxelas: "o efeito surpresa da catástrofe, a sua amplitude, a afinidade com o povo em causa e o momento. No Paquistão, só um critério é preenchido: a amplitude". "Porque não se reage ao drama do Paquistão?", pergunta igualmente The Independent, que compara os quase 40 milhões de euros de ajuda internacional recolhidos nos primeiros dez dias da catástrofe (menos de um euro por vítima) com os mais de 575 milhões de euros recolhidos após o tremor de terra no Haiti. A análise do diário londrino é mais política: sugere que as declarações do primeiro-ministro David Cameron, de que "o Paquistão exporta terroristas" e a recordação de que "a publicidade negativa em redor do regresso não concretizado a Islamabade do Presidente Asif Ali Zardari, após a sua visita à Europa", têm a sua dose de responsabilidade no facto. Não surpreende, pois, acrescenta The Independent, que os sobreviventes se virem para as organizações de benemerência islâmicas. Foi precisamente para contrapor a influência destas últimas que a Alta Representante para os Negócios Estrangeiros da União, Catherine Ashton, pediu aos chefes da diplomacia dos Vinte e Sete para debaterem um plano de auxílio de longo prazo para o Paquistão, na sua reunião de 11 de setembro próximo, escrive oEUobserver.