"A Comissão Europeia estará mais preocupada em promover os interesses de uma empresa farmacêutica norte-americana do que em garantir a sobrevivência de algumas dúzias de pacientes com uma doença hepática rara e grave?", pergunta o Libération. Segundo o jornal,

há três anos que a Comissão se opõe ferozmente à autorização de entrada no mercado europeu de um medicamento, o Orphacol, produzido por um pequeno laboratório francês, o CTRS, que permite evitar a morte certa aos afetados por essa doença rara e sem tratamento eficaz [...]. Esta obstinação burocrática não se explica por nenhum motivo de saúde pública, uma vez que os pareceres científicos – e dos 27 Estados-membros – são unanimemente positivos, sobre um medicamento que passou em todas as provas. No entanto, a recusa da Comissão em autorizar a Orphacol anima uma empresa norte-americana: o Asklepion Pharmaceuticals, um laboratório controlado pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, que também apresentou na Agência Europeia de Medicamentos (EMEA), com sede em Londres, um pedido de autorização de introdução no mercado de um medicamento concorrente – mas que ainda não existe...

Esta obstinação é "incompreensível", admite um funcionário da Comissão. Porque, esclarece o Libération, “a Comissão tem por princípio escudar-se nas opiniões científicas das diversas agências europeias".

O jornal salienta especificamente o papel de Patricia Brunko, chefe da unidade responsável pelos medicamentos para uso humano na Comissão de "Saúde e Defesa dos Consumidores”, que "parece determinada a boicotar o Orphacol". No entanto, acrescenta o jornal, fazendo ligação com o caso Dalli,

é de referir que o chefe de Patricia Brunko era o ex-comissário John Dalli, que José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão, despediu em outubro, na sequência de suspeitas de corrupção na área do tabaco. "Mas o OLAF, o organismo de luta antifraude da Comissão, não foi afetado", comenta-se em Paris.