"Houve tortura da CIA na Polónia?", destaca o Rzeczpospolita depois de a Associated Press (AP) divulgar mais provas que confirmam a existência, entre 2001 e 2003, de uma prisão secreta da CIA na Polónia, onde alegados terroristas foram interrogados e torturados. A agência de notícias AP cita o depoimento de um funcionário dos Serviços Secretos norte-americanos que terá, alegadamente, aterrorizado um prisioneiro com um berbequim elétrico e uma pistola descarregada num "buraco negro" na Polónia, entre 2002 e 2003. A comunicação social polaca e internacional afirma que o local era o centro de treino de Serviços Secretos militares em Kiejkuty, a nordeste, perto do campo de aviação militar de Szymany, onde o avião da CIA aterrou diversas vezes, como se demonstra no relatório oficial da ONU sobre a matéria.

No seguimento de relatórios idênticos, os procuradores públicos polacos iniciaram a sua própria investigação secreta sobre o caso (as conclusões serão tornadas públicas no início de 2011). Contudo, quer o então primeiro-ministro, Leszek Miller, e o então Presidente, Aleksander Kwaśniewski, negaram sistematicamente a existência de quaisquer prisões secretas da CIA no país. À luz destas revelações, escreve o Gazeta Wyborcza, “os desmentidos só irão prejudicar os interesses da Polónia”. “Numa democracia”, acrescenta, “o facto de um indivíduo ser um patife não justifica que seja torturado – é o princípio da nossa civilização”. A Gazeta é apoiada pelo Dziennik Gazeta Prawna, cujo diretor afirma não haver qualquer interesse nacional que justifique “que agências secretas de outros países sejam autorizadas a infringir a lei”. Se os procuradores decidirem que a lei foi realmente transgredida, o ex-primeiro-ministro e o ex-Presidente serão julgados em tribunal.