Segundo o Dziennik Gazeta Prawna, o resultado da última cimeira da UE prova que houve “uma evolução significativa do equilíbrio do poder” com a França, outrora um dos países mais influentes da União, “numa posição defensiva”. O diário realça que isto é uma nova tendência:

A União dirige-se para uma zona de comércio livre idealizada pelos britânicos e apoiada pelos alemães, em vez de uma “estrutura federal movida pela solidariedade” pretendida por Paris. [...] Surpreendentemente, foi criada uma aliança um tanto quanto exótica, constituída pela França, Itália, Espanha e Polónia, em defesa das transferências financeiras, [resultando num] conflito entre os ricos do Norte da União e os pobres do Sul e de Leste. […] No entanto, não há dúvida de que ao impor cortes a Alemanha revelou a sua força económica. A política de Berlim tornar-se-á ainda mais rigorosa, enquanto as abundantes transferências de Bruxelas poderão não passar de uma boa lembrança, caso o clube franco-espanhol-italiano-polaco não consiga provar a sua competitividade.

Na Alemanha, Die Welt considera que este “compromisso continua muito parecido como o da velha Europa” e critica os que pensam que existe “um direito do homem europeu que garante fluxos de dinheiro provenientes de outros países”. Além disso, este aconselha o Governo alemão a reduzir a sua parceria histórica com a França:

Com esta rara determinação, a Alemanha estabeleceu-se como um peso pesado dos equilíbrios de poderes na Europa, que soube seduzir a maioria e manter-se aberto a todos. De facto, os interesses alemães coincidem mais com os de Londres do que com os de Paris.

Em contrapartida, El País escreve que “A Europa insiste em tratar uma pneumonia como se fosse uma simples constipação [...] e obtém um acordo raquítico”, que “promove a austeridade – e portanto os cortes – para a próxima década”:

Os cinco primeiros anos da crise já passaram, os orçamentos europeus são uma espécie de bússola do projeto europeu. A UE parece distraída; caminha entre o antigo e novo regime sem que o precedente tenha desaparecido totalmente e o atual esteja verdadeiramente implementado. No meio deste marasmo, Berlim (com o apoio de Londres) aumenta o seu poder e constatamos uma retirada para o nacional ou intergovernamental.