A União Europeia comprometeu-se a prestar um apoio financeiro de €610 milhões à Ucrânia, ao passo que Herman Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu, disse que Kiev tinha de demonstrar uma “ação determinada” numa série de áreas, incluindo uma reforma judicial até maio, para poder haver um acordo entre as duas partes antes do final do ano. Para conseguir ajuda financeira, a Ucrânia tem de assegurar igualmente o apoio do Fundo Monetário Internacional.

O European Voice considera que esta estratégia vai submeter a Ucrânia a uma “forte pressão para que acelere as reformas” e acrescenta que Kiev tem de resolver a questão da “justiça seletiva”, nomeadamente as condições em que quatro políticos, incluindo a antiga primeira-ministra Yulia Tymoshenko, foram condenados a penas de prisão.

Um editorial publicado pelo European Voice, anterior à decisão da UE, instava Viktor Yanukovych, Presidente da Ucrânia, a “mostrar à UE a seriedade em relação à reforma”, acrescentando que

a única opção viável de Yanukovych é proceder a uma enérgica reforma interna, de acordo com as orientações da Comissão Europeia, e ao reforçar tudo isto, mostrando as capacidades internacionais do país, [...] Yanukovych não pode esperar que os Estados-membros da UE apostem na Ucrânia se ele próprio não se mostra capaz de apostar numa reforma que, segundo afirma, é do interesse do próprio país.

Entretanto, o Gazeta Wyborcza insiste que “chegou o momento histórico de Kiev escolher a viragem a Leste, onde Vladimir Putin está a tentar atrair o país com gás barato, ou […] a assinar um acordo de associação com a UE”. Segundo o diário de Varsóvia,

Kiev tem uma escolha difícil pela frente. [...] Seria preferível tirar proveito do preço mais baixo do gás e abrir o forte mercado russo e, ao mesmo tempo, ter acesso ao crédito e às tecnologias ocidentais. A não exigência de vistos para viajar pela Europa seria ainda um outro aspeto aliciante, caso isso acontecesse. Uma atitude muito pragmática, de facto.