A Alemanha e os Estados Unidos estão a sofrer as consequências do caso PRISM e procuram um acordo após a revelação de espionagem de que a República Federal terá sido alvo por parte da agência de segurança americana (NSA), noticia o Süddeutsche Zeitung. O chefe dos serviços secretos alemães (BND), Gerhard Schindler, deverá, assim, iniciar conversações, no final de agosto, com os seus parceiros norte-americanos para, no futuro, banir a espionagem entre os dois países.

O antigo agente da NSA Edward Snowden, procurado pelos Estados Unidos, revelou que, todos os meses, eram intercetados 500 milhões de dados pessoais na Alemanha, com a colaboração do BND.

O Parlamento alemão procura medir a extensão da ação da NSA e determinar o papel desempenhado pelo BND. E também quer saber se o Governo estava ao corrente. A 12 de agosto, a comissão de controlo dos serviços secretos do Bundestag (Parlamento) o chefe da chancelaria (e responsável pelos serviços secretos), Ronald Pofalla, que “fez um esforço para dar a impressão de que não se tratava de um caso de espionagem”, escreve o diário de Munique, afirmando que os alemães não eram espiados de maneira sistemática pelos Estados Unidos e que Washington e Londres garantiram, por escrito, que respeitam os direitos e a lei alemães. A comissão parlamentar não excluiu a possibilidade de ouvir os membros do Governo.

“O BND e a NSA deverão iniciar conversações ainda este mês”, escreve o jornal Die Tageszeitung. O diário de esquerda, no entanto, pergunta

quem ficará protegido da espionagem dos Estados Unidos, os cidadãos alemães ou o BND? Esperemos que sejam os cidadãos, mas Pofalla não deu pormenores sobre as medidas.

A cinco semanas das eleições legislativas alemãs, este escândalo tem um enorme impacto na campanha eleitoral. A revista Der Spiegel acusa a chanceler Angela Merkel de estar ao corrente da espionagem da NSA e de estar a atirar a responsabilidade para cima do social-democrata Frank-Walter Steinmeier, que era chefe de gabinete da Chancelaria em 2002.