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“Só este ano, 207 mil pessoas tentaram fugir para a Europa através do mar Mediterrâneo, entre as quais 3400 que perderam a vida”, informa o Tageszeitung num tom alarmante. Quase todos os meses se atingem “novos recordes” em matéria de refugiados: “mais pedidos de asilo, mais refugiados chegados de barco, mais mortos, mais pessoas deslocadas, mais vítimas de guerra”, lamenta o diário alemão.

Este último explica que enquanto a miséria não for erradicada em África, o problema não será resolvido. Recorda que há várias décadas que os países industrializados se comprometeram a “dedicar 0,7% do seu PIB para ajudar o desenvolvimento” e que estes objetivos estão longe de ser alcançados. A proporção da riqueza produzida pela Alemanha dedicada a esta causa representa apenas 0,38% do PIB”, “11 mil milhões a menos do que o previsto”. O diário sublinha que,

quando a Itália interrompeu o programa de resgate marítimo “Mare Nostrum”, nomeadamente sob a pressão da Alemanha, a UE decretou uma sentença de morte para milhares de refugiados. Ninguém ficou surpreendido. Consideramos que o facto de as pessoas morrerem no Mediterrâneo faz parte da realidade, que lamentamos mas podemos mudar. E isto é o verdadeiro escândalo.