Há mais de um ano que as manifestações contra o primeiro-ministro Viktor Orbán e a sua política nacionalista se multiplicam em Bucareste. No passado dia 8 de março, informa o Magyar Narancs, os húngaros saíram novamente às ruas da capital para denunciar a corrupção do poder e exprimir o seu descontentamento face a uma nova medida controversa: a 3 de março, o Parlamento votou uma lei que estende de 15 para 30 anos o período durante o qual os detalhes do acordo assinado com a Rússia no dia 17 de fevereiro no domínio nuclear civil serão cobertos pelo segredo de Estado.

“Mocskos Fidesz!” (“Este Fidesz é sujo!”, o partido de Orbán), gritaram os milhares de pessoas que se manifestaram no domingo apelando à oposição, enquanto, prossegue o semanário, se lia “Este Governo é corrupto” em cartazes.

O acordo incide sobre um empréstimo de 10 mil milhões de euros concedido pela Rússia à Hungria para cobrir 80% dos custos da construção de dois novos reatores para a central de Paks. Realizada pela sociedade russa Rosatom, é a única no país e fornece eletricidade a cerca de 40% da Hungria.

Embora o Governo invoque “razões de defesa”, observa o site Hu-lala.org, a oposição estima que

se trata de ocultar um verdadeiro caso de corrupção. Enquanto a oposição exige ao presidente da República, János Áder, que submeta a questão ao Tribunal Constitucional, os manifestantes preparam-se para sair novamente à rua no dia 28 de março.