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Baltasar Garzón “será julgado pelas escutas do caso Gürtel antes dos corruptos” é a manchete do diário El País, a 11 de abril, na sequência da decisão do Supremo Tribunal espanhol de julgar o juiz que ficou famoso por combater a corrupção. Garzón é acusado de “corrupção” (abuso de poder) e de ter utilizado “meios ilícitos” durante as investigações sobre o caso “Gürtel”, um escândalo político e financeiro em que estão envolvidos responsáveis do Partido Popular (PP, oposição de direita). Ele terá escutado conversas de alguns presos com os respetivos advogados, em violação do direito de defesa. A decisão do tribunal terá sido “oportuna” para o presidente da região de Valência, Francisco Camps (PP), cujo julgamento deverá ter início nas próximas semanas e nas semanas de eleições municipais de 22 de maio, comenta El País. O diário conservador El Mundo, que acusa Garzón de mostrar um “total desrespeito pela lei para atingir os seus próprios objetivos ao longo da sua carreira”, aponta o facto de “o batoteiro Garzón colocar o Gürtel em perigo”: “com a sua falta de escrúpulos ele abre um caminho legal em que os acusados podem ser libertados”.