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"A história oculta das ordens de restrição" é manchete no Independent, dando continuidade ao debate nacional sobre determinações judiciais superiores emitidas principalmente para ricos e famosos, que impedem a Comunicação Social de publicar informações sobre as suas vidas privadas ou revelar as suas identidades. Agora que os utilizadores do Twitter trouxeram a lume uma ordem de restrição de 150 mil libras [170 mil euros] emitida pelo jogador Ryan Giggs sobre um alegado caso com uma modelo, o diário londrino revela que "nos últimos cinco anos, foram concedidas 333 ordens de restrição à informação para proteger as identidades das celebridades, crianças e particulares". Entre elas inclui-se "a concessão de anonimato a 28 homens acusados de relações extraconjugais e nove casos de criminosos condenados", bem como a sete grandes empresas, o que "impede a publicação de informações sobre os seus assuntos comerciais."

Agora que os advogados de Ryan Giggs abriram um processo judicial contra o Twitter, voltou à baila o debate sobre a relação entre liberdade de expressão e privacidade. Numa carta ao Daily Telegraph, Lord Wakeham, ex-presidente da Comissão de Queixas contra a Imprensa, descreve a onda de ordens de restrição à informação concedidas pelos tribunais como "intolerável" e apela para que seja alterada a Lei britânica de Direitos Humanos de 1998, cujas disposições deixam aos "juízes o poder de decidir o que o público deve ou não saber”. Wakeham apela a que o Parlamento altere a lei de modo a que os juízes só possam conceder esse tipo de restrições quando houver “impacto sobre autoridades públicas ou o Estado".