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“O plano de austeridade está um caos. Tem de se começar tudo de novo”: resume assim o La Repubblica o estado de avanço das medidas de ajustamento anunciadas há menos de um mês pelo Governo. Na altura, o objetivo era acalmar com urge os investidores, uma vez que a Itália estava a ser vítima de ataques especulativos dos mercados sobre a sua dívida pública, que ameaçavam arrastar o euro com ela, relembra o diário. Mas o plano, que pretendia repor a dívida pública italiana (a segunda a nível mundial, em termos de percentagem do PIB) em limites mais sustentáveis, foi alterado praticamente todos os dias: contribuição solidária dos mais ricos, abolição das províncias (departamentos), redução de custos da política, revisão das reformas…as medidas propostas até ao presente foram regularmente alteradas e retiradas, após diversos partidos da maioria liderados por Silvio Berlusconi terem protestado.

Tal incerteza suscita a preocupação do Banco Central Europeu, que garantiu a dívida italiana ao comprar de forma massiva obrigações do Tesouro, tal como dos países da zona euro, a começar pela Alemanha. “O nosso Governo está a dar razão a este grupo de deputados conservadores alemães, que se opõem a um reforço do Fundo Europeu de Estabilização Financeira”, escreve o economista Tito Boeri no diário romano: “Para além de não estarmos a favorecer a coordenação das políticas fiscais fundamentais para resolver a crise da dívida na zona euro, estamos também a contribuir no afastamento desta solução”. O texto definitivo deverá ser aprovado no dia 6 de setembro pelos deputados.