“O euro vai passar o Natal?”: a pergunta posta pelo Journal du Dimanche assombra a UE. O semanário parisiense baseia-se na previsão catastrófica do ensaísta Jacques Attali segundo a qual o euro não sobreviverá ao fim do ano se os líderes “não olharem mais longe do que os seus próprios prazos eleitorais”. Resta “um mês para salvar o euro”, garante o jornal:

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Depois da Grécia, da Irlanda e de Portugal, o vírus mortal chegou a Itália. Esta semana, a Península sobre endividada vendeu obrigações a taxas de juro exorbitantes. Na sexta-feira, os credores exigiram 7,8% por um empréstimo a dois anos, ou seja, mais 3,2 pontos dos que há dois meses. […] Se a terceira economia da zona euro cair numa situação de incumprimento, a União monetária não durará muito. […] A tensão está no auge. Antes do fim de semana, a agência Standard & Poor’s baixou a nota da Bélgica. Na próxima quinta-feira, Paris deverá por à venda títulos entre os três e os 4,5 mil milhões de euros. Um verdadeiro teste, num momento em que os credores estão a virar as costas à Alemanha por causa dos seus juros baixos. Na semana passada, Berlim queria por seis mil milhões de euros de dívida nos mercados. Conseguiu vender apenas 3,6. Uma surpresa. – Le Journal du Dimanche

“A crise do euro e da dívida chegou a um ponto de viragem destinado a marcar a economia europeia e até mesmo as estruturas constitucionais do continente”, afirma o Corriere della Sera :

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Dentro de algumas semanas, nada será como dantes, mas ninguém pode ter a certeza de que tudo se passará como prevê o calendário estabelecido […]. Amanhã a Itália enfrenta uma emissão muito delicada de títulos da dívida. Nesse mesmo dia, o Eurogrupo apreciará as propostas francesas e (sobretudo) alemãs sobre aquilo a que a chanceler Angela Merkel chama união fiscal. […] Estas alterações, a menos que haja surpresas, serão aprovadas na cimeira de 9 de dezembro. No dia anterior, o BCE deverá decidir uma oferta ilimitada de liquidez a dois ou (mais provavelmente) três anos para dar oxigénio aos bancos. E nessa altura, o primeiro-ministro Mario Monti terá feito aprovar em conselho de ministros as medidas para estabilizar a Itália. Estará tudo pronto para que o BCE possa agir. Poderá anunciar limites de diferencial sobre os títulos da dívida soberana [diferença entre as taxas de juro mais baixas e as mais altas sobre as obrigações do Estado] para além dos quais intervirá sem limites sobre os mercados. Mas, de qualquer modo, os limites serão suficientemente elevados para obrigarem os Estados a fazerem baixar as taxas de juro. É este o caminho para virar a página da crise. A Europa prepara-se para o percorrer, sabendo que, no passado, já se perdeu muitas vezes. – Corriere della Sera

La Stampa escreve que Angela Merkel e Nicolas Sarkozy “alargaram a Mario Monti o acordo para alterar os tratados europeus” e faz título com o “pacto a três para a Europa”. Nas páginas do diário de Turim, o economista Franco Bruni constata que:

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As dificuldades da dívida italiana parecem vir do principal problema da economia mundial. É possível que isto seja um exagero. O excesso de dramatização é típico de certas fases das crises financeiras, sobretudo quando as medidas de ajustamento e as reformas enfrentam obstáculos políticos e sociais. Esta dramatização excessiva também diz respeito às discussões continuas sobre o fim do euro, sem se saber de que é que se fala e sem compreender que isso nada resolve e que incomoda toda a gente. – La Stampa

A contagem decrescente é também a imagem usada por La Tribune:

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Tic tac, tic tac... O cronómetro que mede as hipóteses de sobrevivência do euro está impaciente. (…) Oficialmente, a Alemanha continua a opor-se a uma intervenção do BCE de maior envergadura. Ao ritmo a que continua a crise, esta recusa obstinada lembra o comportamento de um bombeiro que deixa a casa arder para ensinar às crianças que é perigoso brincar com fósforos. – La Tribune

De facto, em Madrid, El Economista aposta no colapso da zona euro em duas zonas distintas, uma para os países virtuosos e outra para os mais frágeis. Será, por isso, Angela “Merkel [que] escolherá nove países para criar um super euro”, escreve o diário, porque a chanceler

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quer que seja assinado um acordo, país a país, sobre um novo Pacto de estabilidade, semelhante ao mecanismo dos acordos de Schengen. Nove é, de facto, segundo as regras da UE, o número mínimo de países que podem adotar acordos de cooperação reforçada. Merkel está satisfeita com esta fórmula por duas razões evidentes: o tempo e a simplicidade para a pôr em marcha (…): o acordo pode ser ativado em janeiro ou fevereiro de 2012, um prazo meteórico, se comparado com o tempo necessário para alterar um tratado, que nunca é inferior a um ano (…). A Itália e a Espanha farão parte do clube. A sua inclusão é vital para esses dois países, porque os signatários terão o apoio permanente do BCE. Sem esquecer que, assim, se evitaria uma divisão entre o Norte e o Sul. – El Economista

Em Berlim, Die Welt vê chegar as “obrigações do Estado de elite” defendidas pela Alemanha: “Seis países da zona euro com a mais elevada solvabilidade (Triplo A), vão criar obrigações do Tesouro comuns em que os juros estarão, na melhor das hipóteses, entre os 2% e os 2,5%”. No editorial, o jornal escreve que:

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Os mercados exigem um sinal credível. […] Os novos acordos, quaisquer que sejam – vão fazer passar a mensagem: agora, é a mão de ferro de Merkel que governa a Europa. – Die Welt