Ao lançar o Presseurop, em 2009, a comissária europeia para a Comunicação, Margot Wallström, descrevia a publicação como “uma expressão do nosso desejo de facultar, incentivar e apoiar a criação de um espaço público europeu para a comunicação, controvérsia e debate”, recorda o Lettera 43. Hoje, o site de notícias italiano constata que

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apesar dos manifestos de estima e do reconhecimento público de especialistas, a alguns meses das eleições europeias de maio de 2014, em que os cidadãos serão convidados a informar-se, votar e decidir o futuro das instituições, Bruxelas preferiu reduzir a informação.

“Fecha-se uma janela sobre a vida dos europeus”, afirma La Croix. “Era mantida aberta de par em par pelo Presseurop”, recorda o diário francês, lamentando

uma perda para o conhecimento recíproco dos habitantes dos Vinte e Oito, a seis meses das eleições europeias, anunciadas como um momento de crescimento dos eurocéticos.

“Durante quatro anos, a Europa teve um belo e independente órgão de Comunicação transnacional”, salienta o VillaMedia, da Holanda. O espaço profissional de informação sobre a Comunicação Social considera que

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o Presseurop surgia como uma excelente maneira de estabelecer um diálogo e debates entre a UE e os seus cidadãos. [...] Em vez de lhe darem tempo para atingir a maturidade, este valioso projeto é eliminado.

“Quando adicionei [o Presseurop] aos meus favoritos, não conhecia nem o seu valor, nem o seu prestígio ou repercussões”, relata o bloguista europeu Nacho Segurado:

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Guardei-o apenas como uma fonte, porque parecia ser uma publicação valiosa, embrião de um grande órgão de Comunicação pan-europeu de que muitos sentimos falta. Se a Europa quer tornar-se uma nação – seja lá o que isso signifique –, é vital que tenha órgãos de informação próprios.

O Presseurop “faz-nos acreditar que o ‘sonho europeu’ é alcançável”

O Presseurop “faz-nos acreditar que o ‘sonho europeu’ é alcançável”, acrescenta Mircea Vasilescu, chefe de Redação do semanário Dilema Veche, num editorial publicado no Adevărul:

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Ao permitir que leitores de toda a parte comentem, cada um na sua língua, os grandes temas europeus, [o Presseurop] deu um grande passo em frente na criação de um espaço público europeu. Aquilo que há tantos anos a Comissão Europeia quer, mas não consegue realizar. [...] É claro que o mundo não entra em colapso se o Presseurop desaparecer. Mas a decisão de fechar o “site” é um mau sinal para o futuro da Europa. [...] Sem o Presseurop, os ideais da construção europeia tornam-se cada vez mais apenas um objeto de retórica.

Após quatro anos e meio de atividade e vários meses de incerteza sobre o destino do nosso site, “o que esta trapalhada sobre o desaparecimento do Presseurop manifesta é o isolamento dos temas europeus nos meios de comunicação”, analisa o blogue especializado Décrypter la communication européenne [Descodificar a comunicação europeia]:

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Entre os meios de comunicação europeus – concentrados na máquina de Bruxelas e reduzidos a um público especialista ou especializado, com órgãos de comunicação afastados do coração do poder europeu, que condenam o seu correspondente no local a um trabalho minimal –, o Presseurop ocupa um espaço inclassificável, explora um terreno desconhecido e, por isso mesmo, incomoda. [...] O Presseurop é uma síntese, cujo desaparecimento equivale à morte de uma certa ideia de um órgão de informação sobre a Europa e para os europeus.