
Meio século após a sua criação, o Partido Socialista (PASOK) aboliu os subsídios de Natal e da Páscoa [13º e 14º meses] e as férias pagas dos funcionários e dos reformados. É verdade que os substituiu por um prémio mas este é inferior, ao ponto de poder ser qualificado de caridade, destinada a ser rapidamente reduzida a nada pelos factos.
Não é de excluir a hipótese de o Governo suprimir esses direitos. Mas Papandreou ainda não está satisfeito no que se refere a fazer cortes brutais e sem precedentes na realidade social e contra os funcionários: também anunciou uma redução complementar de 8% dos seus salários, o que corresponde a uma descida de 20% dos seus rendimentos em dois meses! Na sequência destas medidas, cada funcionário vai perder entre 15% e 30% do seu rendimento anual.
Trata-se portanto, não se pode negá-lo, das medidas mais anti-sociais que a Grécia já sofreu, pelo menos desde há um século. E contradizem de forma flagrante as promessas eleitorais e pós-eleitoriais, do primeiro-ministro e do PASOK. O que coloca de facto um enorme problema de credibilidade política de Papandreou e do Governo no seu conjunto. As medidas de austeridade vão destruir a dimensão económica, para atingir o objectivo de redução do défice público. Assim, este ano, o PIB do nosso país vai baixar 4%.
Uma descida tão drástica só aconteceu uma vez nos últimos 50 anos: em 1974, sob o efeito conjugado da crise petrolífera e do caos que se seguiu à tentativa de golpe de Estado em Chipre e à ocupação de parte do norte da ilha pelo Exército turco, e que acabaria por conduzir à queda do regime dos coronéis e à ameaça de uma guerra com a Turquia. Na altura, o PIB caiu 6,4%. Hoje, as circunstâncias são muito diferentes e dever-se-ia reavaliar a dívida pública: de 115%, em 2009, esta deverá aumentar para 140%, em 2014.
Para além do aspecto económico, estas medidas têm um aspecto moral: são fortemente injustas. Alguns enriqueceram, pilhando os cofres públicos e, no entanto, são os funcionários e os reformados que vão pagar a factura. Estamos perante uma política violenta, que redistribui mal a riqueza pública e que, na verdade, só recompensa a plutocracia. Nenhum grego acredita que exista uma ligação entre a dívida pública e o défice do Estado e os cortes anunciados nos rendimentos. O pior é que, mal foram anunciadas, estas medidas não convenceram os europeus, que não excluem medidas complementares, se isso se revelar necessário.