As 12 provas de Panagiotis Karkatsoulis

Seja qual for o partido vencedor das eleições de 6 de maio, a reforma do Estado será um dos grandes desafios. Mas, de uma forma tão surpreendente como encorajadora, uma instituição norte-americana elegeu um grego como melhor funcionário público do mundo.

Publicado em 4 Maio 2012 às 15:23

Panagiotis Karkatsoulis é um homem de entusiasmos. Ele fala, reproduz diálogos fazendo vozes diferentes em que se representa a si próprio (mais grave) e aos outros (mais agudo), gesticula, coça a cabeça, escrevinha diagramas no papel, volta a rabiscar, não consegue estar parado. Às vezes acaba um discurso com um "ufffff – isto fui eu a tentar explicar esta ideia".

Por exemplo, ser visto como uma raridade é algo que inspira uma destas tiradas. Ele indigna-se e ri-se ao mesmo tempo. "Uma exceção, eu? Eu não sou uma exceção!" Mas lembra-se, com uma gargalhada, da reportagem que fizeram quando foi anunciado que tinha vencido o prémio da Sociedade Americana de Administração Pública (atribuído a alguém que tenha promovido mudanças no setor da administração pública), há uns meses. "Foram perguntar a pessoas na Praça Syntagma de que nacionalidade seria o melhor funcionário público do mundo. Um respondeu: "Sueco, finlandês, alemão… grego é que não é de certeza!"". Outro disse apenas: "Qualquer uma, menos grego".

Karkatsoulis trabalha no Ministério da Reforma Administrativa – e por isso tem lidado de perto com responsáveis da troika – e é professor na Escola Nacional de Administração Pública. Recebe-nos no seu gabinete, onde tem várias reproduções, uma, por exemplo, da dupla Gilbert & George, num cor-de-rosa que, hoje, condiz com a sua camisa.

Ele garante que no seu departamento há uma equipa de funcionários públicos muito capazes e dedicados. "Este era um dos departamentos mais bem pagos, com salários de cerca de 3000 euros. Agora, estes salários são de mil e tal euros. Estas pessoas podiam ter ido todas para o setor privado. Mas não foram, ficaram. E trabalham mais horas. Porquê? Não sei, bom, não lhe queria chamar patriotismo…"

A indignação de Karkatsoulis passa, ao de leve, pela pesada e, sim, louca máquina da administração pública grega – um estudo que fez junto com 200 colegas a pedido da troika descobriu que a administração central tem cerca de 23 mil responsabilidades diferentes, e que estas estão a mudar constantemente, numa média de 1140 vezes por ano. Mas hoje, ele desvaloriza isto. "Esses números mostram qualquer coisa: 23 mil competências formais escritas é imenso, blá, blá. Mas, se olharmos com atenção, vemos que todas estas 23 mil competências não afetam os funcionários da mesma maneira, umas continuam lá, mas não estão a fazer nada.

Reação de Atenas

Batalha eleitoral dura

"Da periferia de Atenas à aldeia mais remota do país", os dois principais partidos, a Nova Democracia (direita) e o PASOK (socialista) são dados como estando ombro a ombro, vaticina o jornal To Vima. Mas, para este diário, as legislativas de 6 de maio irão decidir-se sobretudo no plano da oposição entre quem é

a favor do acordo de austeridade [o documento assinado com a troika] e contra esse acordo. As distinções do passado, baseadas na ideologia de cada partido, estão hoje completamente ultrapassadas e o que distingue os partidos é a posição destes sobre o programa económico e o reembolso dos empréstimos concedidos ao país. "Direita" e "esquerda" já não têm significado real e as coisas vão mudar em breve. (…) Assim o provam a proliferação de pequenos partidos e a ascensão dos extremos. Infelizmente, seja pelas suas palavras, seja pelo seu silêncio, os dois grandes partidos mentem: dizem ter soluções para um problema que não tem solução.

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