Flexibilização quantitativa do BCE

“1,1 biliões de euros para dar um impulso à Europa”

A 22 de janeiro, o Banco Central Europeu anunciou que irá injetar 1,1 biliões de euros na economia da zona euro através de um programa de compra de títulos da dívida sem precedentes, que servirá também para evitar a deflação. A imprensa europeia reagiu com entusiasmo e ira, consoante o país.

Publicado em 25 Janeiro 2015 às 20:01

“BCE inunda Europa com mais de 1 bilião de euros”, titula o diário conservador Die Welt em Berlim. O conselho do BCE “não aprovou unanimemente” o lançamento imediato do programa, escreve o diário, acrescentando que a Alemanha se manterá fiel à sua política de “economia e reformas”. O diário acrescenta:

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os críticos dizem que o dinheiro não chegará aos mutuários mas que será investido em ações ou no mercado imobiliário. Isto poderá levar a uma nova bolha no mercado. Além disso, alguns temem que o BCE possa abrandar o desejo de implementar reformas em alguns países através da compra dos seus títulos.

“BCE: um terramoto de 1 bilião”, titula o La Stampa. A flexibilização quantitativa do BCE é “positiva, em relação ao seu montante e duração, e negativa, uma vez que deixa grande parte do fardo do risco nas mãos dos bancos centrais e nacionais”, afirma o economista italiano Marcello Messori no diário de Turim. Entre outros economistas, especialistas bancários e gestores de fundos,

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a reação foi praticamente unânime. A decisão foi tomada no mandato do BCE, o que enfraquece qualquer questão jurídica que possa ser levantada na Alemanha. […] De qualquer forma, tal como Draghi repetiu na sua conferência de imprensa, a política monetária por si só não é suficiente. O mantra dos especialistas também é: reformas, reformas e mais reformas.

“Um bilião para dar um impulso à Europa”, titula o ABC. Relembrando a declaração de Mario Draghi de que estava pronto para fazer “tudo o que fosse necessário” para salvar o euro, o diário escreve que “o banqueiro italiano tem sido acompanhado por uma imagem de poder, out até mesmo de infalibilidade”. Draghi é, para o diário espanhol,

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o único homem capaz de lidar com um mercado insaciável. Durante dois anos, Mario Draghi experimentou medidas para, primeiro, acabar com a soberania da crise da dívida e, em seguida, para colocar a Europa na rota da recuperação. Mas tudo indica que esta recuperação não é tão forte quanto esperava e Draghi teve de agir novamente. O principal receio do mercado é que o esforço do BCE não seja acompanhado por medidas adicionais dos Governos nacionais, já que Draghi não pode fazer tudo.

Para o Financial Times, apesar “de o BCE ter demorado demasiado tempo” a lançar uma flexibilização quantitativa, “a sua intervenção tardia é bem-vinda”. O diário elogia Draghi por ter agido perante o fraco crescimento e inflação subjacente na zona euro, mas também alerta que cabe agora aos Governos nacionais fazerem a sua parte para recuperar.

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Para escapar a anos de fraqueza esgotante, a zona euro precisa não só de uma injeção de adrenalina, como também de um tratamento de longa duração. Isto deve incluir uma reforma estrutural e não apenas dos mercados de trabalho escleróticos franceses e italianos, mas também do mercado de produtos alemão, que é tão imprescindível quanto a flexibilização quantitativa. Nem os mercados nem os seus críticos pensam que Draghi possui as ferramentas para terminar este trabalho. Para ajudar a provar que estão errados, os Governos da UE precisarão de mostrar tanta determinação quanto ele.

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