A nova casa comum

O pacto para o euro, em discussão pelos Vinte e Sete nos próximos dias em Bruxelas, prevê uma profunda reconstrução da "casa económica europeia". Para enfrentarem as contrariedades, os principais arquitetos, a França e a Alemanha, apostam na funcionalidade e na segurança, com prejuízo da variedade.

Publicado em 25 Março 2011

A Europa está a construir uma nova ordem económica. O novo edifício deve ser erguido sobre as fundações do precedente, mas os materiais utilizados vão ser mais sólidos. Cada parte da construção não será diferente das restantes. O azul mediterrânico e o verde das ilhas deverão desaparecer de cada fração e todos os apartamentos serão pintados da mesma cor.

A segurança da construção vai ser reforçada. Os guardiães vão zelar para que ninguém faça barulho. Passarão a visitar os habitantes e assegurar-se de que não consomem produtos demasiado caros nem compram a crédito. Quanto tempo trabalham, por acaso fazem a sesta a meio do dia? Vão controlar com rigor as faturas de cada um e assegurar-se de que não há derrapagens.

A perspetiva de viver neste condomínio não parece lá muito atraente. E no entanto, é um edifício de categoria, afamado, e os novos candidatos fazem bicha à porta; os acabamentos semelhantes para todos e o silêncio noturno não os desanimam. Porque o novo edifício não tem riscos de catástrofe nem de desabamento. Talvez sejam necessárias pequenas reparações ou manutenção regular. Mas fica-se protegido contra o risco de ficar na rua. As assembleias-gerais de condóminos, onde todos têm direito de voto, deverão ser especialmente interessantes.

Quanto aos que não estão convencidos e que querem viver como lhes apetece, ficarão nas suas pequenas vivendas, na orla do bairro. As rendas são menos elevadas e há maior independência. Devem apenas assegurar-se de que conseguem pagar a manutenção e as dispendiosas reparações, em caso de avaria brusca. Porque, nessa altura, não vão contar com os habitantes do novo edifício para os ajudarem.

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Visto de Espanha

Portugal não tem escolha

"Portugal recusa ajuda da UE", diz o título de primeira página de La Vanguardia, que sublinha que "todas as forças políticas portuguesas rejeitam a intervenção, estimada em 75 mil milhões de euros", enquanto Angela "Merkel adverte os partidos portugueses de que esta é inevitável". A crise portuguesa esteve no centro dos debates da cimeira de Bruxelas de 24 e 25 de março, refere ainda este diário, que observa que "nem o Governo socialista nem a oposição conservadora de Portugal estiveram à altura da dramática situação económica e financeira" do país, "que tem uma dívida pública superior a 8% do PIB, um número insustentável que poderá levar o pais à falência". La Vanguardia acrescenta que a rejeição do plano de austeridade apresentado pelo primeiro-ministro demissionário José Sócrates "abre um período de enorme incerteza", que "só irá piorar as coisas e, provavelmente, exigir ainda mais sacrifícios". Agora, a ajuda financeira da UE "não deve ser adiada sob pretexto algum" e a decisão "deve ser imediata, para fazer face às pressões dos mercados e evitar a contaminação do resto da zona euro". O diário congratula-se por os mercados terem deixado a Espanha "fora da zona direta de contaminação da crise portuguesa", tendo os especuladores cessado os ataques sobre a Bolsa espanhola. Ainda assim, "o Governo deve seguir na via das reformas postas em marcha", que "melhoraram sensivelmente a imagem da Espanha".

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