Odisseia ao Amanhecer

A caminho de uma verdadeira guerra

Publicado em 31 Março 2011 às 14:12

“Treze dias depois do início da guerra na Líbia, a confusão é total”, escreve o Mediapart. “Num punhado de dias, passámos de uma operação humanitária – para a qual foram autorizados meios militares limitados – a uma guerra que deverá levar à mudança de regime.”

Para o jornal on-line parisiense, o objetivo dos americanos, que forneceram a maior parte dos meios à coligação, é claro: derrubar Kadhafi. “Todas as infraestruturas militares e todos os centros de poder político são agora visados” por esta operação integralmente dirigida, a partir de quinta-feira, 31 de março, pela NATO, a partir do seu quartel-general em Nápoles.

“Esta estratégia da guerra total (muito afastada do espírito da resolução 1973 das Nações Unidas) explica as críticas cada vez mais severas da Liga Árabe, da Turquia e, também, da Itália (que já disse que quer tentar a mediação e convencer Kadhafi a exilar-se)”, acrescenta o Mediapart, para quem a coligação está a caminhar para um perigoso atoleiro. O exército de Kadhafi recupera terreno, “por enquanto é o statu quo e perfila-se uma partilha do país, a menos que haja uma reviravolta súbita”.

Uma situação ainda mais problemática para a coligação no momento em que se debate acaloradamente e se levantam muitas interrogações sobre a natureza da oposição líbia e a realidade do Conselho Nacional de Transição (reconhecido, pela França, desde 5 de março, como o único interlocutor legítimo). Especialmente nos Estados Unidos “onde se suspeita que os atores mais importantes da insurreição sejam combatentes da Al-Qaeda”.

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