As regiões fazem-se ouvir

O parecer favorável à independência do Kosovo emitido pelo Tribunal Internacional de Justiça relança a questão das regiões europeias com forte identidade. Em 24 de julho, o romeno Laszlo Tökes, vice-presidente do Parlamento Europeu, apelou à autonomia da Transilvânia. Entretanto, em Bruxelas, mais de 300 delegações defendem os interesses de entidades de todo o continente.

Publicado em 26 Julho 2010 às 16:49
Eliznik |  Grupo folclórico do norte da Transilvânia

Não sei se a antiga sede do Instituto Pasteur de Bruxelas lhe diz algo. Muito provavelmente não. É um pequeno palácio situado a dois passos do Bairro Europeu e não vem mencionado nos guias da capital belga. Porque não é para os turistas que é importante. Alberga hoje a Representação da Baviera – do Estado Livre da Baviera, segundo a designação oficial – junto da União Europeia. De que se ocupa esta representação, desde a sua criação em 1994? Representa os interesses dos bávaros junto das instituições europeias, sejam eles construtores de automóveis, como a BMW, ou criadores de gado.

Não se trata de uma exceção, mas de uma regra. Há mais de 300 representações destas em Bruxelas, verdadeiras embaixadas de diferentes regiões da Europa, desde a Escócia à Catalunha, da região veneziana ao Transdanúbio, na Hungria. E enviam dinheiro para casa, sob diversas formas. O que se traduz numa vida melhor para os habitantes. Bruxelas é a maior mesa de negociações do mundo. "Pensar globalmente, agir localmente", é uma das receitas de sucesso no mundo de hoje.

Estamos [romenos] afastados deste jogo, apesar de algumas representações discretas das regiões de desenvolvimento terem feito uma tímida aparição. Mas falta-lhes algo que é essencial: motivação. Falta-lhes esse patriotismo local que leva um proprietário de uma pensão de Garmisch-Partenkirchen a dizer, com orgulho, que, acima de tudo, é bávaro. Nós, romenos, dispomos na capital da Europa, no máximo, de um punhado de funcionários de uma série de condados herdados da época de Ceausescu, unidos naquilo a que chamamos “regiões de desenvolvimento”, traçadas arbitrariamente pelos políticos. Mas um complexo nacional parvo impede-nos de reconhecer que temos realmente identidades regionais fortes.

Infelizmente, o efeito perverso da decisão do Tribunal de Haia sobre a independência do Estado do Kosovo representará, para nós, novo adiamento de um debate honesto. E também a amplificação da histeria. É assim que assistimos ao confronto do eurodeputado [e vice-presidente do Parlamento Europeu] Laszlo Tökes com o Presidente Traian Basescu, digladiando-se de maneira populista sobre o tema da autonomia da Transilvânia [região romena de maioria de língua húngara], perante o sorriso irónico, ou mesmo satisfeito, do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban [participaram os três, em 24 de julho, num colóquio sobre a Europa Central]. E entretanto, nas centenas de delegações regionais em Bruxelas, trabalha-se duro – e com resultados palpáveis.

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