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Azul-laranja-vermelho

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Publicado em 9 Julho 2010

Portanto, o final da Taça do Mundo de Futebol será europeia. Melhor, a equipa vencedora será a primeira na história da competição a impor-se fora do Velho Continente. O laranja holandês contra o “rojo” espanhol é a constatação da manutenção no topo de um futebol europeu que se dizia acabado, logo na primeira volta. “Um continente fora de jogo”, dizia em título o Presseurop, divulgando um artigo do La Stampa de 22 de junho. Os desempenhos medianos da maior parte das equipas europeias no início do Mundial pareciam refletir a perda de influência da UE na cena mundial: depois da diplomacia e da economia, era a vez da bola.

A tentação de projetar na vida pública a realidade do terreno é geral. Na Alemanha, os comentadores asseguravam que a coligação governamental de Angela Merkel não sobreviveria a não ser no caso de vitória da equipa alemã na África do Sul. Em França e Itália, houve quem garantisse que tinha sido a honra de toda a nação que tinha sido conspurcada pela eliminação dos Bleus e da Squadra Azzura, ao mesmo tempo que se repunha em causa o papel dos estrangeiros na equipa, bem como na sociedade. Já em Espanha, a polémica sobre o estatuto da Catalunha foi momentaneamente apagada pelo desempenho da equipa nacional, maioritariamente composta por jogadores do Barcelona.

Se é inegável que o futebol desempenha um papel cada vez mais importante na economia e na vida das sociedades, é leviano querer tirar lições políticas das vicissitudes nesse terreno. O que a vitória da Holanda ou da Espanha vai demonstrar é que o euro pessimismo toca hoje todas as atividades humanas, mas sempre sem fundamento. Numa altura em que a imprensa norte-americana, como The American Interest ou a Time, multiplica os títulos sobre o declínio europeu, um pouco de euro otimismo não fazia mal.

Eric Maurice

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