Crise da dívida

Expulsemos a Alemanha da zona euro

Publicado em 3 Março 2015 às 15:16

O excedente comercial elevado da Alemanha é a força propulsora por trás do mal-estar económico da Europa, escreve o economista Patrick Chovanec na Foreign Policy. A saída da Alemanha da zona euro poderia ajudar a reequilibrar tanto a economia europeia como a economia global. Chovanec utiliza as ideias do economista do século XIX David Ricardo para explicar que o desequilíbrio comercial da Europa deve ser reduzido através do aumento da procura interna alemã e, por conseguinte, pelo aumento dos seus empréstimos. Historicamente, o excedente da Alemanha foi emprestado aos seus vizinhos, resultando na atual crise da dívida europeia.

Não podemos dizer que as poupanças excessivas da Alemanha, que os bancos tiveram muitas vezes dificuldade em utilizar corretamente, foram bem investidas. Em vez disso, deram aos alemães a ilusão de prosperidade, trocando trabalho real (que se reflete no PIB) por notas promissórias [reconhecimento da dívida] que poderão nunca voltar a ser reembolsadas.

Em circunstâncias normais, prossegue Chovanec, as taxas de câmbio poderiam reduzir a disparidade ao aumentar a competitividade dos parceiros comerciais da Alemanha. Mas as taxas de câmbio fixas da zona euro não permitem este reajustamento. As nações devedoras da zona euro podem ser obrigadas a avançar “lado a lado” com a economia da Alemanha, por isso o seu desequilíbrio comercial só pode ser reduzido através da diminuição da procura de bens importados alemães. Isto requer uma queda no consumo global. Os membros do sul da zona euro reduziram o seu défice com a Alemanha, mas em detrimento do crescimento.

Para Chovanec, não são as economias europeias que devem tornar-se como a alemã, mas a Alemanha que deve repensar como vai utilizar o seu excedente.

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As poupanças excessivas já estão lá; a única questão é onde devem ser aplicadas. Aplicá-las a nível interno para impulsionar uma recuperação europeia genuína seria uma melhor escolha do que, uma vez mais, as atirar aos estrangeiros para comprarem bens aos quais não se podem dar ao luxo.

A saída da Alemanha do euro devolveria uma vantagem competitiva aos seus devedores, uma vez que esta aumentaria o seu endividamento interno, permitindo que o excesso fosse gasto no país. Isto aliviaria a pressão na Europa e a nível mundial, já que a dependência da Alemanha no mercado americano – o consumidor mundial de último recurso – também contribui para o agravamento da dívida e o receio de que esta poderá nunca voltar a ser paga.

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