Mandatos da Interpol usados para “perseguir dissidentes” na UE

Publicado em 5 Setembro 2013 às 14:26

“O Cazaquistão está a usar a Interpol, o corpo de polícia comum baseado em Lyon, França, para levar a cabo uma vingança política no coração da UE”, escreve o sítio de informação EUobserver, numa investigação especial sobre maus-tratos a dissidentes políticos naquele país da Ásia Central, com base nas descobertas da Open Dialog Foundation. Segundo a organização não-governamental com sede em Varsóvia, nos últimos meses, Astana

tem usado a Interpol para perseguir dissidentes em países da União Europeia. De certo modo, os pedidos à Interpol são uma forma de relações públicas: tentam dar credibilidade às afirmações do Cazaquistão que diz que esses ativistas são criminosos.

O artigo conta o caso de Muratbek Ketebayev, membro da oposição cazaque, que foi preso na Polónia na sequência de um alerta da Interpol sob a acusação de incitar ao ódio social, mas que foi libertado 24 horas depois, com a “Interpol a apagar os dados dos seus arquivos dizendo que o caso tinha tido motivações políticas”.

Num outro caso, a mulher e a filha de seis anos de um proeminente dissidente, Mukhtar Ablyazov, atualmente preso em França, foram detidas em Itália sob a acusação de estarem a usar documentos falsos e numa decisão muito controversa foram repatriadas para o Cazaquistão num avião privado fretado para esse fim, antes de poderem contestar a ordem de deportação. O EUobserver acrescenta que

a Interpol tem de ter um cuidado extremo antes de dar a sua aprovação aos alertas cazaques, russos e ucranianos. E antes de extraditar alguém para esses países, os tribunais europeus e os ministros do Interior devem pensar duas vezes nas potenciais consequências.

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