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Onde param as mulheres?

Maioritárias entre a população europeia, as mulheres estão sub-representadas nos cargos chave das instituições. No momento em que os 27 se reúnem para designar as personalidades que irão ocupar as mais altas funções na União, as mulheres pedem que a paridade seja respeitada.

Publicado em 17 Novembro 2009 às 16:17
De momento, há apenas três mulheres candidatas a comissárias europeias. Foto: Comissão Europeia

A frase feita "cherchez la femme" [procurem a mulher] aplica-se bem aqui. Mas é preciso procurá-la, de facto. No Velho Continente, vivem mais de 250 milhões de mulheres. No entanto, apesar de representarem 52,6% da população, nenhuma delas – ou quase – ambiciona ter um cargo de topo na União Europeia. O desafio é difícil. Tão difícil que a próxima Comissão Europeia, mais uma vez dirigida por José Manuel Durão Barroso, poderá não obter a aprovação do Parlamento: tem demasiados homens.

Actualmente, apenas oito mulheres têm assento no executivo de 27 membros. Naquele que vai iniciar funções em Janeiro, serão apenas três – de entre cerca de 20 nomes indicados até agora indicados pelas capitais. Os deputados de Estrasburgo consideram que é muito pouco e dizem-se dispostos a desencadear uma crise institucional, em nome da paridade.

O Parlamento ainda não falou

"Aqueles que ainda não propuseram nenhum nome vêem-se praticamente obrigados a indicar uma mulher, para acalmar os ânimos", garantia, recentemente, um diplomata. Durão Barroso, que sabe bem disso, está muito preocupado. Uma redução do número de mulheres poderá ser-lhe fatal, quando os comissários pedirem a confiança do Parlamento Europeu, que já bate o pé de impaciência. Barroso viu os seus poderes consolidados pelo Tratado de Lisboa, mas a votação sobre a Comissão poderá voltar-se contra ele. Há cinco anos, os deputados europeus fizeram cair Rocco Buttiglione por causa das suas declarações contra os homossexuais. E poderão fazer algo semelhante, em Dezembro e Janeiro, quando se realizarem em Bruxelas as audiências dos candidatos a comissários.

O caso complica-se devido à nomeação das duas novas figuras previstas pelo Tratado de Lisboa: o Presidente do Conselho e o Alto Representante para a política externa. A dois dias da cimeira em que o problema será debatido, os líderes não sabem o que fazer. Ao todo, foram propostos entre 10 e 20 nomes. Para a presidência, há apenas duas mulheres: Vaira Vike-Freiberga, da Letónia, e Mary Robinson, da Irlanda. No que se refere ao cargo de Alto Representante, os nomes de mulheres são ainda mais incertos. Fala-se da Comissária do Comércio cessante, a inglesa Catherine Ashton, e da francesa Elisabeth Guigou, antiga colaboradora próxima de Mitterrand.

O cubo de Rubik das nomeações

A solução do problema tem de agradar à esquerda e à direita, ao Norte e ao Sul, aos países grandes e aos pequenos, aos homens e às mulheres. Não foi por acaso que, na semana passada, Barroso chegou à sala de imprensa com um "cubo mágico" de 12 estrelas. "É-me impossível escolher um candidato apenas por ser mulher e não posso recusar seja quem for, a pretexto de ser tratar de um homem", declarou então. Os diplomatas, nos bastidores, estão de pés e mãos atados. Debatem as suas ideias, mas sabem que a decisão virá de cima.

No dia 16 de Novembro, três dirigentes da União Europeia lançaram um apelo "cor de rosa" nas páginas do Financial Times: "Chegou a altura de passar das palavras aos actos e nomear mulheres para cargos chave", declararam Neelie Kroes, comissária da Concorrência, Margot Wallstrom, vice-presidente da Comissão, e Diana Wallis, vice-presidente do Parlamento. "Temos a sensação crescente de que o Parlamento Europeu poderá rejeitar o executivo, em bloco, se não houver mais mulheres", afirma este trio. A verdade é que, no século XXI, a Europa não pode excluir 53% dos seus talentos. A decisão cabe aos 27 líderes do Conselho, entre os quais se inclui uma única mulher [a chanceler alemã Angela Merkel].

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