MEE, uma máquina de fazer dívida

O Mecanismo Europeu de Estabilidade lançado em 9 de outubro trai os pais e os textos fundadores da UE, escreve o Frankfurter Allgemeine Zeitung, defensor sensível da política alemã de estabilidade. E nada garante que possa assegurar a salvaguarda da união monetária.

Published on 9 October 2012

A exceção passou a ser regra: o fundo europeu de resgate, o MEE [Mecanismo Europeu de Estabilidade], faz hoje parte integrante da união monetária europeia. Destina-se a tirar de apuros os países da zona euro que não podem ou não querem respeitar as regras do jogo da moeda comum.

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Este artigo foi retirado a pedido do proprietário dos direitos de autor.

Visto de Itália

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O MEE está refém da eleição de Angela Merkel

“O euro conseguirá sobreviver até ao mês de setembroSetembro de 2013 [data das legislativas alemãs] ou arriscar-se-á a perder alguns países, por causa das jogadas táticas e eleitorais de Angela Merkel, na Alemanha, decidida a manter-se na chancelaria custe o que custar? Esta pergunta pode aparecer como provocatória, senão paradoxal”, escreve o Sole 24 Ore, “no preciso momento em que acaba de ser instituído o Mecanismo de Estabilização Europeu (MEE)” e a chanceler alemã se desloca a Atenas para apoiar a política de austeridade do Governo de Antonis Samaras. “Mas, como sublinha aquele diário económico, a pergunta faz todo o sentido:

O fogo continua a lavrar debaixo das cinzas duma crise sem fim e que corre o risco de voltar a eclodir de um momento para o outro numa Europa tensa e surrealista que, tal como a teia de Penélope, faz por um lado e desfaz pelo outro, numa atmosfera, ora de conflito, ora de aparente paz.

Neste contexto,

o arranque do MEE tem muito de ambíguo, desde logo porque só está parcialmente operacional e assim permanecerá não se sabe até quando. A maior urgência é a recapitalização dos bancos espanhóis em cerca de €60 mil milhões, mas o MEE não a poderá fazer, por não haver acordo quanto à centralização da sua supervisão no BCE, devido às reticências alemãs. E também porque a Alemanha, a Holanda e a Finlândia pensam que os apoios do MEE só deverão abranger as novas dívidas bancárias [contraídas depois da entrada em vigor do MEE]. Resumindo, subverte-se o jogo enquanto se estão a discutir as regras. […] O certo é que Merkel e o seu ministro das Finanças estão prestes a conseguir tirar de cena todas as decisões europeias que poderiam perturbar a opinião pública alemã durante a campanha eleitoral.

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