Anúncio de associação alemã de agricultores á «Tudo bio, tuda verdade» (Foto Derpunk)

Bio-consumidores de todo o mundo: organizem-se!

Fazer compras de produtos biológicos por grosso e em conjunto sai mais barato. É o que propõem os "grupos de compras solidárias" com enorme sucesso, nomeadamente na Alemanha, junto dos adeptos da "agricultura biológica".

Publicado em 18 de Setembro, 2009
Anúncio de associação alemã de agricultores á «Tudo bio, tuda verdade» (Foto Derpunk)

Acabararm-se as idas semanais, solitárias, ao supermercado. Na Alemanha, o apreciador da boa comida adepto de produtos biológicos abandona, cada vez mais, as grandes superfícies em proveito das cooperativas alimentares, também chamadas "centrais de compras solidárias".

Os consumidores associam-se para efectuarem as compras de fruta e legumes. Como as cooperativas conseguem comprar produtos alimentares de agricultura ecológica em maiores quantidades, os agricultores e os revendedores de produtos alimentares, como as empresas Bioland ou Rapunzel, estão dispostos a baixar os preços. Resultado: os membros das cooperativas fazem economias e habituam-se a consumir "de forma alternativa".

Distributição ao domicílio

A organização das cooperativas alimentares baseia-se na boa vontade dos seus membros. Assim, Daniela, estudante de Etnologia em Münster, assume a sua quota de trabalho: recebe os produtos no seu apartamento. Reparte-os em seguida pelos membros, que passam por casa dela a levantar as suas encomendas.

A cooperativa de Münster desenvolveu o seu próprio sistema de encomendas por Internet. No seu site, pode-se não apenas encher o cesto, mas consultar igualmente as facturas. Cada membro começa por dar uma entrada e, depois, pode encomendar o que quiser. Cada um deduz os custos na sua conta, mas não há controlo. O sistema das cooperativas alimentares baseia-se na confiança mútua entre membros. Portanto, para entrar no grupo, é necessário não apenas apresentar-se em pessoa aos outros membros, mas também estar disposto a participar frequentemente nas reuniões e mostrar real interesse no projecto.

O que há no cesto de produtos biológicos da Daniela, neste mês de Setembro? Couve rábano, cogumelos e erva-doce, amoras e pão bretzel biológico… Não vale a pena procurar ananás, apesar de a presente "biomania” ir ao ponto de a simples aplicação de um rótulo “biológico” chegar a justificar a exportação de kiwis sul-africanos para a Europa. Para as cooperativas alimentares, a cultura de produtos alimentares deve respeitar os recursos naturais e proteger a natureza e o ambiente.

O que chega ao prato dos membros de uma central de compras solidárias deve ter sido cultivado sem produtos tóxicos e de acordo com critérios ecológicos. O sindicato federal das cooperativas alimentares (mais conhecido na Alemanha sob o nome de Foodcoop Bundes AG) bate-se para que os produtos sem pesticidas estejam disponíveis mesmo para lá das existências das cooperativas. Por isso, ajuda o consumidor vulgar a melhorar os seus hábitos de consumo. Os seus cavalos de batalha? Acabar com as embalagens, reduzir os transportes de produtos alimentares e escolher prioritariamente produtos regionais e da estação. Afinal, pode-se viver sem laranjas importadas de Espanha ou ananás do Brasil.

Mais ecológico que nas bio-lojas

Foi nos anos 70 que os pioneiros do movimento das cooperativas alimentares começaram a concretizar o seu sonho de pôr alimentos biológicos ao alcance de todos, a um preço razoável. A ideia espalhou-se rapidamente através de toda a Europa. No entanto, se as novas cooperativas se multiplicaram na Alemanha e Inglaterra, em França, onde(apesar do relativo sucesso das AMAP) não representam ainda uma alternativa à oferta das cadeias de supermercados, continuam a ser relativamente raras. Em contrapartida, vê-se cada vez mais frequentemente os consumidores das zonas rurais fazerem compras directamente junto dos agricultores.

De uma maneira ou outra, o conceito subjacente é idêntico: os produtos biológicos são melhores para a saúde e para o ambiente, mas saem menos caros se forem comprados directamente ao produtor.

Para o porta-voz do sindicato federal, Tom Albrecht, as cooperativas alimentares reúnem pessoas "mais ricas em tempo do que em dinheiro". Os que ganham mais e se interessam por produtos biológicos compram geralmente nas lojas. "As cooperativas alimentares são a alternativa mais ecológica", sublinha Tom Albrecht, porque são as únicas a poder satisfazer precisamente a procura dos seus membros. Quanto mais o abastecimento for assegurado por produtores locais, mais os custos de transporte diminuem.

Assim, o agricultor ou o grossista que trabalha com uma cooperativa entrega em geral os produtos num único lugar, acessível a todos os membros. As lojas biológicas, por seu lado, são obrigadas a gerar lucros e a propor nas suas prateleiras alimentos que têm um menor escoamento.

Lukas Ley et Lilian Maria Phitan

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