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Uma Europa unida é bom para os burocratas

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Na sequência da declaração de Tony Blair de que a Europa precisa de mais integração, com um presidente democraticamente eleito a liderá-la, um colunista do Daily Telegraph defende que as únicas pessoas que seriam beneficiadas seria o batalhão de eurocratas de Bruxelas.

Publicado em 15 Junho 2011

Na semana passada, assisti a algumas histórias deprimentemente familiares na UE: altos funcionários a viajar separadamente em jatos privados, enquanto dão ao mundo lições sobre a necessidade de reduzir as emissões de CO2; deputados a exigir o aumento do orçamento e a propor novos impostos, a fim de conseguirem uma maior "harmonia" entre os Estados da UE, apesar dos cortes feitos por todo o continente.

A maioria dos políticos da UE, tal como a maioria das políticas da UE, não têm legitimidade e sabem disso. Por isso, quando Tony Blair insistiu, na semana passada, em que a Europa precisa de um "presidente eleito", estava a dar voz à profundamente arraigada crença de quase todos os envolvidos na burocracia política pan-europeia de que uma maior unidade é melhor para todos.

Não importa que "o projeto" não tenha apoio popular. Mesmo o facto de os eleitores estarem agora a contestar (por exemplo) a abertura das fronteiras entre os membros da UE não tem qualquer efeito sobre a convicção dos eurocratas de que só pode haver um sentido de marcha: diretos a uma união cada vez mais estreita no seio da UE e, portanto, para a obliteração final do Estado-nação.

Qual é a base para essa visão de que o Estado-nação deve ser substituído por autoridades europeias? Resume-se à aparentemente inócua alegação também feita por Blair na semana passada de que é "sensato para as nações europeias combinar-se conjuntamente e usar o seu peso coletivo para adquirir influência". A questão de como a entidade formada por "combinação conjunta" virá a obter qualquer autoridade política legítima sobre e para além da dos Estados-nação que a compõem nunca é respondida.

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Há uma razão muito óbvia para esse silêncio ensurdecedor: as nações individuais e respetivas assembleias eleitas são vistas pelos povos dessas nações como as únicas instituições que elegeram para a elaboração de leis. Eleger um presidente europeu não vai mudar nada. Vai simplesmente dar um verniz democrático espúrio ao projeto de unificação – quando, na verdade, o efeito irá corroer a única ligação entre a maneira como são feitas as leis e a vontade do povo. A legislação que emana de Bruxelas não tem essa conexão. Mas é assim que o projeto de unificação está construído.

Posso compreender que uma União Europeia maior tenha vantagens para os políticos do continente, que têm nas mãos as deliciosas regalias do cargo: batedores e motoristas, jatos particulares, funcionários bajuladores e a intoxicante sensação de poder. Mas o que ganha o resto de nós?

Europa Unida, Europa poderosa

Os entusiastas afirmam que uma Europa unida será uma Europa poderosa, capaz de negociar melhores acordos sobre comércio e segurança. O comércio livre entre as nações traz grandes benefícios, mas não exige mais do que cooperação entre Estados-nação individuais. Sobretudo, não requer a substituição do Estado-nação por uma burocracia supranacional.

E a ideia de que uma Europa unificada estará melhor preparada para defender a segurança e os valores dos seus povos é uma fantasia. A "Europa" tem toda a artilharia de uma política de defesa unificada: uma burocracia de defesa, um departamento de relações exteriores e um ministro negócios estrangeiros. A operação na Líbia é apoiada pela UE. Mas, como observou na semana passada Robert Gates, secretário de Defesa cessante dos Estados Unidos, os países europeus são incapazes de a organizar. A campanha de bombardeamentos "exigiu um grande aumento de especialistas estratégicos, principalmente dos EUA, para fazer o trabalho". Depois de 11 semanas de campanha, as nações europeias "estão a ficar com falta de munições e exigem que os EUA, uma vez mais, cubram a diferença". Isso acontece porque muitos países europeus querem os benefícios da cooperação militar, mas não estão dispostos a partilhar os riscos e custos inerentes: querem é andar à boleia.

Isto é, de certa forma, tranquilizante, porque mostra como o projeto de unificação assenta na rocha do interesse nacional. Sugere que, no fundo, não é mais do que uma maneira de fazer os eurocratas sentirem-se importantes. Mas a tragédia é que o seu autoengrandecimento ainda pode acabar por destruir a nossa democracia.

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