A batalha de Lisboa também venceu em Praga

Após longas negociações entre partidos políticos, o Senado checo ratificou o Tratado de Lisboa a 6 de Maio. Mas o Presidente Vaclav Klaus, que se opõe ao texto, faz resistência.

Publicado em 25 Maio 2009 às 15:47
Mirek Topolánek e Václav Klaus (em primeiro plano) na cimeira UE-EUA, em 5 de Abril 2009

O resultado do voto era esperado em todas as capitais europeias. No dia 6 de Maio, o Senado checo ratificou o Tratado de Lisboa por 79 votos contra 54. Última vitória para o primeiro-ministro demissionário Mirek Topolanek, um mês após a sua queda, orquestrada pelo Presidente Vaclav Klaus em plena Presidência da UE. A República Checa era, com a Irlanda, dos últimos países a não ter ainda ratificado este texto, que visa reformar o funcionamento da União.

Mirek Topolanek conseguiu convencer uma maioria de senadores a preservar a imagem do seu país, naquilo que o Respekt tinha qualificado como "batalha checa por Lisboa". Porque o Parlamento estava dividido em dois campos irreconciliáveis, explicava o semanário, na véspera da votação. "De um lado, temos o Governo demissionário de Mirek Topolanek e do seu 'Sr. Europa', Alexandre Vondra (ODS, Partido Liberal no poder), o ministro Verde dos Negócios Estrangeiros, Karel Schwarzenberg, e outros partidos, à excepção dos comunistas. Afirmam que, se o Senado não ratificar o Tratado, será, para retomar a expressão de Mirek Topolanek, um 'desastre total' e 'um regresso a antes de 1989'. A República Checa seria afastada para a periferia da Europa, onde começa a influência da Rússia."

"Do outro lado do campo de batalha”, prosseguia o Respekt, “encontra-se uma fracção do ODS, com o Presidente Vaclav Klaus à cabeça, para a qual a catástrofe total seria, pelo contrário, a República Checa ratificar o texto." O seu argumento é, de acordo com o jornal: "Não devemos ter medo da Rússia, porque estamos protegidos pela NATO, nem de ficar isolados. Arriscamo-nos a muito pior – tornarmo-nos marionetas às mãos dos grandes países europeus, que nos obrigarão a pagar impostos elevados e imporão o número de imigrantes que devemos aceitar."

"Devo comunicar a minha decepção ao ver certos senadores abandonarem as suas opiniões sob uma pressão política e mediática sem precedentes, tanto nacional como estrangeira", declarou Vaclav Klaus, após a votação dos senadores. Mas para a imprensa de Praga, ele perdeu uma batalha, mas não a guerra. O diário económico Hospodářské Noviny adianta que o Chefe de Estado, que tem de apor a sua assinatura para que a ratificação seja definitiva, "espera que um grupo de senadores peça ao Tribunal Constitucional para avaliar de novo se o Tratado de Lisboa não vai contra a nossa Constituição". Por seu lado, os Verdes lançaram uma petição convidando-o a assinar o texto. "Pensamos que o Presidente não deve travar o processo", explica o seu porta-voz, George Green Kubalik no jornal da Internet tyden.cz.

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