Igualdade de género

A Comissão europeia quer quebrar “telhados de vidro”

Publicado em 6 Março 2012 às 14:02

A Comissão Europeia está a considerar a introdução de quotas obrigatórias para membros femininos na administração de empresas, depois de os apelos feitos para que as empresas adotassem essas quotas voluntariamente terem falhado, anuncia o Rzeczpospolita. “Só 24 empresas europeias responderam à proposta de Bruxelas de há um ano, que solicitava o aumento da representação feminina nos quadros diretivos em 30% até 2015 e em 40% até 2020”, realça o jornal diário de Varsóvia. Por isso, a imposição de quotas está a ser agora ponderada. No seu editorial, o Rzeczpospolita acrescenta:

Mesmo que, como qualquer regra imposta, possam parecer artificiais, ninguém, até agora, apresentou uma forma mais eficaz de aumentar a representação das mulheres nos escalões mais elevados do poder empresarial.

Na Polónia, as mulheres constituem apenas 11 % dos membros da direção das empresas registadas e os seus salários são, em média, 15% inferiores aos dos homens em posições semelhantes. Por toda a UE, as mulheres ganham 16,4% menos que os seus colegas masculinos, pelo mesmo trabalho.

Na Alemanha, bastião masculino onde a quota feminina se tornou motivo de conversa na semana passada, depois de 350 mulheres jornalistas terem assinado uma petição por uma melhor representação nas posições de liderança da imprensa nacional, o Süddeutsche Zeitung acredita que “os cavalheiros ignoraram durante tempo demais a suave pressão das senhoras para que mais mulheres fossem colocadas em cargos executivos”:

Podemos confiar no sucesso de Viviane Reding [comissária europeia para a Justiça que deu início ao projeto]. […] Não por referir a descriminação ou a igualdade mas por utilizar o argumento do mercado interno: sem uma quota europeia, poderia dar-se o caso de as empresas alemãs, por exemplo, não poderem participar em concursos franceses ou espanhóis por não terem mulheres suficientes em cargos executivos.

É uma organização jornalística, uma empresa, uma associação ou uma fundação? Consulte os nossos serviços editoriais e de tradução por medida.

Apoie o jornalismo europeu independente.

A democracia europeia precisa de meios de comunicação social independentes. O Voxeurop precisa de si. Junte-se à nossa comunidade!

Sobre o mesmo tópico